A onda de protestos que afeta o Uruguai se estendeu aos funcionários judiciais e de alfândegas, passando para 12 os setores em conflito, enquanto o Governo segue otimista de que conseguirá soluções nas várias frentes em que negocia.
“Atuamos com rapidez e firmeza, mas o direito de greve está garantido”, afirmou nesta quarta-feira o ministro do Trabalho uruguaio, Eduardo Brenta.
“O Governo está otimista, está decidido a solucionar os conflitos sindicais nos próximos dias e seguimos apostando no diálogo e no convencimento”, acrescentou.
Brenta disse que, em nível oficial, estão descartadas “soluções duras” para colocar fim na onda de protestos, entre outras coisas, “porque geram reações duras e não queremos situações violentas”.
As autoridades do Ministério do Trabalho receberam dirigentes da Associação de Empregados Bancários do Uruguai (AEBU) para negociar já que o banco oficial está em conflito há duas semanas e, com suas medidas, afetaram a atividade da praça financeira local.
Simultaneamente, as autoridades do Ministério da Saúde Pública negociam uma possível solução para a greve realizada pela Sociedade Anestésica e Cirúrgica (SAQ), que obrigou a suspensão de dezenas de cirurgias.
Três sindicatos médicos rejeitam a incorporação de sua caixa de auxílio ao Fundo Nacional de Saúde, previsto a partir do dia 1º de janeiro, com o argumento de que perderão salários e outros benefícios.
Pela mesma razão, os escrivãos também estão mobilizados e realizaram protestos no Parlamento.
A paralisação de atividades dos funcionários das alfândegas, também para reivindicar aumento de salários, gerou uma concentração de mais de 100 caminhões na fronteira com o Brasil à espera de completar os trâmites para o transporte de mercadorias.
Os alfandegários só permitem a passagem de mercadorias perecedoras e remédios.
Os funcionários públicos de Obras Sanitárias do Estado (OUSE), responsáveis pelo abastecimento de água potável, também iniciaram protestos para rejeitar a possível privatização de alguns serviços.
Atualmente, o Parlamento estuda o orçamento de despesas do Governo para a gestão 2005-2010, negociam salários entre empresários e trabalhadores com mediação oficial, e prevê uma reforma do Estado, o que contribui para um clima geral de confronto.