O famoso ativista Hu Jia, que é amigo do dissidente foragido chinês Chen Guangcheng, foi detido durante 24 horas e interrogado pela polícia após revelar aos meios de comunicação que esteve com o advogado cego e que ele se refugiara na Embaixada dos EUA em Pequim.
Um dos advogados de Hu, Li Jinsong, disse à Agência Efe que o ativista passou quase um dia com as autoridades, mas agora já se encontra em casa.
Hu declarou ao jornal “The Washington Post” e outros meios de comunicação que Chen, advogado cego em prisão domiciliar há 18 meses, esteve com ele após fugir de sua casa em Shandong em 21 de abril.
A esposa de Hu, Zeng Jinyan, outra conhecida ativista chinesa, também foi interrogada pela polícia, informou hoje o jornal “South China Morning Post”.
Hu explicou que em sua fuga, realizada durante a noite, seu amigo escalou um muro, cruzou um rio e após 20 horas ativistas o encontraram e levaram o dissidente para Pequim num trajeto que demorou mais três dias.
O ativista disse que Hu já tentara fugir numa ocasião anterior cavando um túnel, mas foi apanhado pela polícia que vigia sua casa.
Pelo menos outras duas pessoas que ajudaram Chen na fuga, Eis Peirong e Guo Yushan, foram detidas recentemente, assim como o irmão e o sobrinho do ativista.
Hu Jia, conhecido defensor dos direitos dos doentes de Aids e hepatite B (doença a qual ele mesmo padece), foi condenado a três anos e meio de prisão “por incitação à subversão do estado”, uma pena que ele terminou de cumprir em junho de 2011.
Durante seu cativeiro, ele foi agraciado com o Prêmio Sajarov, concedido pelo Parlamento Europeu aos defensores dos direitos humanos.
Em dezembro de 2010, uma condenação a Chen Guangcheng por causar distúrbios e atrapalhar o trânsito terminou, mas desde então ele e sua família estão submetidos à prisão domiciliar.
Chen, de 41 anos e cego desde os cinco, ficou conhecido nos anos 90 por denunciar abortos e esterilizações forçadas em sua província como parte da “política do filho único”
Em 2006, a revista “Time” o nomeou como uma das pessoas mais influentes do mundo, e em 2007 concedeu a ele o prêmio Magsaysay, conhecido como o “Nobel Asiático”.