m atentado terrorista com carro-bomba cometido no último dia do Ramadã (mês sagrado do Islã) tirou hoje a vida de 16 pessoas e deixou mais de uma centena de feridos na república russa da Ossétia do Norte.
A explosão ocorreu pouco depois das 11h local na entrada do mercado central da capital da Ossétia do Norte, Vladikavkaz, num horário com muita concentração de pessoas, informaram agências de notícias russas.
Entre os mortos, há uma criança de 18 meses, que morreu três horas depois da explosão em uma unidade de terapia intensiva (UTI).
Enquanto isso, cerca de 20 das 113 pessoas que ficaram feridas – dez delas em estado grave -, serão levadas a hospitais de Moscou em um avião-ambulância.
Provocada por uma bomba e um bujão de gás colocados no porta-malas do veículo, a explosão, segundo a Procuradoria, teve uma potência equivalente cerca de 40 quilos de TNT e deixou uma cratera de quase 1 metro de profundidade.
“A explosão foi tão potente que se pôde ouvi-la em um raio de 5 quilômetros do mercado”, assinalou uma testemunha presencial à agência oficial “RIA Novosti”.
Alguns dos mortos e feridos foram transferidos em um primeiro momento em carrinhos de metal, o que se pôde ver nas imagens da televisão.
“A explosão foi obra de um terrorista suicida que se aproximou da entrada do mercado em um automóvel Volga-3102”, declarou o presidente da Ossétia do Norte, Taimuraz Mamsurov, quem compareceu ao local do atentado.
Ele acrescentou que “o corpo decapitado do suposto terrorista foi encontrado no carro que explodiu em frente ao mercado central”.
As autoridades indicaram que o veículo tinha matrícula da república russa Inguchétia, onde seu anterior dono foi detido.
Por enquanto, as autoridades não acusaram diretamente a guerrilha islâmica, que organizou em março passado os dois brutais atentados suicidas contra estações do metrô de Moscou, nos quais morreram 40 pessoas.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, destacou que o atentado foi cometido na festividade muçulmana de Uraza Bairam (Eid al Fitr), que marca o fim do mês de jejum do Ramadã, uma das principais do calendário islâmico.
Por sua vez, o presidente russo, Dmitri Medvedev, qualificou a explosão de “bárbaro atentado” e seus autores de “monstros” e “miseráveis” com os quais “não pode haver nem compromissos, nem tréguas”.
Putin condenou o atentado suicida com o qual, em sua opinião, os extremistas islâmicos “buscam semear o ódio entre os russos”.
“Não podemos permiti-lo”, disse Putin, que se mostrou convencido que os ataques terroristas provocarão uma enérgica rejeição de toda a comunidade muçulmana da Rússia, onde 20 milhões de pessoas professam o Islã.
“Os que cometem estes crimes são pessoas desalmadas, sem coração, para as quais não existe nada sagrado. Nosso dever comum é lutar contra estes criminosos”, disse Putin durante uma reunião com o presidente do Conselho de Muftis da Rússia, Ravil Gainutdin.
Enquanto isso, o presidente da Inguchétia, Yunus-bek Yevkurov, o homem de confiança de Medvedev na região, alegou que o atentado pretende “desestabilizar” o Cáucaso norte russo.
Em 1992, Ossétia do Norte e Inguchétia protagonizaram sangrentos confrontos étnicos que em dez dias causaram mil mortes.
A crise entre ambas tem sua origem em reivindicações territoriais e se transformou no primeiro conflito étnico ocorrido no território da Rússia depois do desaparecimento da União Soviética (em 1989).
As autoridades da Ossétia do Norte suspenderam hoje as atividades em todas as escolas e creches de Vladikavkaz, enquanto na Inguchétia se ordenou o fechamento dos estabelecimentos comerciais.
Este é o quarto atentado terrorista no mercado central de Vladikavkaz nos últimos 11 anos.
O mais grave deles foi cometido em 19 de março de 1999, quando uma bomba matou 52 pessoas e deixou outras 168 feridas.
A Ossétia do Norte, única república de maioria cristã ortodoxa do Cáucaso, foi palco de numerosos ataques terroristas nos últimos anos.
O mais sangrento deles foi cometido há seis anos por um comando checheno que capturou a escola de Beslan, fez reféns e matou 334 pessoas, 186 delas crianças.
A Prefeitura de Moscou reforçou a mobilização policial nas ruas da cidade por ocasião do fim do Ramadã, motivo pelo qual dezenas de milhares de muçulmanos se congregaram no centro da capital.