A Polícia sul-africana reforçou hoje sua presença nos bairros pobres de Johanesburgo, check depois que 25 pessoas, entre elas duas crianças, foram assassinadas nos últimos dias por causa de um surto xenofóbico.
A agitação começou no último domingo, no bairro de Alexandra, quando um grupo de sul-africanos atacou diversos imigrantes. Hoje, dois estrangeiros e outros dois estudantes morreram.
Apesar da presença de forças policiais fortemente armadas, há mais de 20 mortos e 100 feridos, confirmou hoje a rádio local “702”.
Os agressores acusam os imigrantes de serem os causadores do alto índice de criminalidade que se registra em Johanesburgo e de monopolizar os poucos postos que estão disponíveis.
A África do Sul recebeu um alto número de imigrantes nos últimos anos provenientes, na maioria, do Zimbábue, país vizinho que sofre a pior crise econômica de sua história.
A onda de distúrbios de Johanesburgo se intensificou ontem, quando foram registradas 11 mortes somente na região de East Rand, no leste de Johanesburgo, e outra em Alexandra, segundo a agência local “Sapa”.
Neste final de semana, mais de 260 pessoas foram presas em Johanesburgo, segundo a Polícia, a maioria delas envolvidas com as revoltas.
“Tudo isso é bastante grave, há mais de seis mil deslocados e distúrbios por toda a cidade”, declarou o porta-voz da ONG Médicos Sem Fronteiras, Eric Goemaere, que chamou a situação de “crise humanitária”.
Os imigrantes se refugiam dos ataques em prefeituras, delegacias e igrejas. As várias delegacias dos subúrbios afetados improvisaram acampamentos para acolher os imigrantes.
O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, condenou o surto xenofóbico, enquanto o Governo pediu para que os serviços de inteligência investiguem quem está por trás dos ataques.
A Fundação Nelson Mandela se uniu hoje à África do Sul para lamentar as agressões. “A violência sem sentido não é a solução”, declarou o diretor-gerente da Fundação, Achmat Dangor.