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Mundo

Astronautas da Artemis II se tornam humanos que viajaram mais longe da Terra

Tripulação supera marca da Apollo 13 e avança rumo a regiões da Lua pouco exploradas

Redação Jornal de Brasília

06/04/2026 15h26

Foto: HANDOUT / NASA / AFP

Foto: HANDOUT / NASA / AFP

Os quatro astronautas da missão lunar Artemis II, da Nasa, se tornaram, nesta segunda-feira (6), os primeiros a voar mais longe da Terra, enquanto se preparam para observar partes da Lua apenas vistas em imagens registradas por satélites.

A equipe da Artemis II bateu o recorde anterior de 400.171 km, estabelecido pela missão Apollo 13 na década de 1970. Espera-se que, durante o dia de hoje, esta missão supere em mais de 6.600 km a marca anterior, alcançando 406.778 km de distância.

“Hoje, em nome de toda a humanidade, vocês estão indo para além dessa fronteira”, disse Jenni Gibbons, do controle da missão em Houston.

Este é um dos feitos de maior destaque da viagem até agora.

O astronauta Jeremy Hansen disse que o momento foi pensado “para desafiar esta geração e a seguinte, para que tenhamos certeza de que este recorde não  dure muito tempo”.

A tripulação propôs batizar duas crateras que até agora não têm nome: uma em homenagem a seu apelido para a nave espacial, “Integrity”, e outra com o nome de “Carroll”, que pediram que fosse dado em homenagem à falecida esposa do comandante da missão Reid Wiseman, vitimada pelo câncer.

“É um ponto brilhante na Lua”, disse Hansen, com a voz embargada pela emoção. “E gostaríamos que se chamasse Carroll”.

Os astronautas se abraçaram, e as pessoas fizeram um minuto de silêncio no controle da missão em Houston.

“Crateras Integrity e Carroll, recebido forte e claro. Obrigado”, disse Gibbons.

– Objetivo –

A nave Orion viaja ao redor da Lua para realizar um sobrevoo histórico, durante o qual os astronautas vão dedicar mais de seis horas a analisar e documentar as características da superfície lunar, antes de iniciar a volta.

“É um dia histórico e sei o quanto estarão ocupados, mas não se esqueçam de desfrutar da vista”, disse Jim Lovell, que participou das missões Apollo 8 e 13, em uma gravação deixada para a nova geração de astronautas, feita pouco antes de falecer no ano passado.

“Estou orgulhoso de passar a tocha a vocês enquanto orbitam a Lua”, acrescentou.

A missão, iniciada na última quarta-feira, entrou no que a Nasa chama de esfera de influência lunar nesta segunda por volta das 04h42 GMT (01h42 de Brasília) para realizar o primeiro sobrevoo lunar desde 1972.

O período de observação do satélite natural da Terra vai durar cerca de sete horas no total.

No domingo, a agência espacial americana publicou uma imagem registrada pela tripulação, na qual aparece a Lua e sua Bacia Oriental.

“Esta missão marca a primeira vez que toda a bacia foi vista por olhos humanos”, informou a Nasa. A enorme cratera, que se assemelha a um alvo, já tinha sido fotografada anteriormente por câmeras orbitais.

A tripulação da nave Orion é composta pelos americanos Christina Koch, Reid Wiseman e Victor Glover, além do canadense Jeremy Hansen.

“Obrigado a vocês e a toda a equipe em terra por perpetuar o legado da Apollo com a Artemis. Boa viagem e um retorno seguro”, desejou o astronauta do programa Apollo Charles Duke, de 90 anos.

O americano é um dos últimos homens que participaram de uma missão ao satélite natural da Terra, em 1972. Desde então, nenhum ser humano havia se aproximado do astro.

– Planos revisados –

A Nasa destacou que a tripulação da Artemis concluiu um teste para garantir que a pilotagem manual funciona e também revisou seu plano de observação científica para identificar e fotogravar diversos acidentes geográficos da superfície lunar.

Os astronautas receberam formação em geologia para poder fotografar e descrever os traços lunares, inclusive antigos fluxos de lava e crateras de impacto.

Eles verão a Lua de um ponto de vista único em comparação com as missões Apollo, das décadas de 1960 e 1970.

A tripulação da Artemis II poderá ver a superfície completa e circular da Lua, inclusive as regiões próximas dos dois polos.

Haverá um período de aproximadamente 40 minutos durante o sobrevoo no qual será interrompida toda a comunicação com a Artemis II, quando os astronautas passarem por trás da Lua.

A Artemis II faz parte de um plano de longo prazo para retornar de forma sustentável à Lua, com o objetivo de estabelecer uma base permanente que sirva de plataforma para futuras explorações.

A Nasa pretende fazer um pouso lunar em 2028, antes do fim do mandato de Donald Trump.

AFP

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