Mais de 40 chefes de Estado e de Governo, diversos ministros e ativistas analisam nesta quarta-feira (08) na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) uma resposta conjunta à luta contra a Aids para exterminar a doença ainda nesta década.
“Há trinta anos a Aids era aterrorizante, mortífera e se propagava com rapidez. Hoje temos a oportunidade de acabar com essa pandemia de uma vez por todas”, discursou na abertura dos debates o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltando que “o objetivo comum” dever ser “acabar com a Aids nos próximos dez anos”.
A Assembleia Geral começou assim o debate que se prolongará até sexta-feira e busca uma colaboração mais ampla entre Governos, setor privado e sociedade civil no combate à Aids.
“Sem novas infecções, sem discriminação e sem mortes relacionadas com a Aids”, disse o diplomata sul-coreano, que reivindicou “uma solidariedade mundial maior que nunca” para que o “acesso universal” à prevenção, tratamento e assistência sanitária contra o HIV seja uma realidade em 2015.
Nas três décadas transcorridas desde a descoberta da doença, mais de 60 milhões de pessoas foram infectadas, pelo menos 30 milhões morreram e mais de 16 milhões de crianças ficaram órfãs por causa da doença; além disso que a cada dia acontecem sete mil novas infecções.
Na declaração que os Estados-membros devem aprovar na sexta-feira, é esperada a reafirmação dos atuais compromissos, mas também sua ampliação para superar as conquistas dos últimos dez anos – desde a primeira reunião de alto nível que a Assembleia realizou em 2001.
Desde então e graças aos compromissos alcançados pela comunidade internacional com o Fundo Mundial contra a Aids, fundado nessa mesma reunião, as infecções foram reduzidas em 20% e mais de seis milhões de pessoas recebem tratamento.
Os responsáveis pelo Fundo também participam da reunião de alto nível, onde pedirão aos Estados-membros que mantenham a solidariedade internacional que mostraram durante os últimos dez anos na luta contra a Aids, apesar do momento de crise atual.
“Em nossos dez anos de vida, alcançamos tremendos avanços e agora é preciso pensar o que vamos fazer no meio de uma grande crise econômica que pressiona um número de Governos que não se comprometem economicamente como antes”, afirmou à Agência Efe o diretor de relações externas do Fundo, Christoph Benn.
Benn detalhou que países como Espanha e Itália, entre outros, passaram nos últimos anos da condição de grandes colaboradores econômicos do Fundo a não poderem mais se comprometer com doações; uma tendência que pode pôr em risco o trabalho do Fundo, que oferece tratamento a três milhões de pessoas no mundo.
Por sua vez, o presidente da Assembleia Geral, o suíço Joseph Deiss, indicou que a estigmatização e a discriminação contra pessoas infectadas por HIV continuam sendo grandes obstáculos na luta contra a pandemia.
“O acesso universal implica em justiça e inclusão social. As pessoas que vivem com o vírus devem ser partes ativas em cada aspecto de nossos esforços, já que sua experiência e suas histórias são essenciais para desenvolver uma estratégia efetiva para combater a epidemia”, declarou Deiss.
O diretor do Programa Conjunto das Nações Unidas contra a Aids (Unaids), Michel Sidibé, reconheceu também os avanços conquistados na última década, mas “a Aids continua sendo um desafio crucial de nossa era”, destacou.
Sidibé espera que seja adotada “uma agenda de transformação” que conduza ao fim da infecção, a discriminação e as mortes, por isso é necessário “uma revolução na prevenção do HIV e a mobilização dos jovens como agentes de mudança”, ressaltou.
O primeiro chefe de Estado a participar da cúpula foi o presidente de Honduras, Porfirio Lobo, que indicou que “a luta contra a Aids deve ser um compromisso permanente dos governantes, convocados a entregar novas oportunidades e espaços para quem vive com HIV, mas também evitar que esse mal afete a mais mulheres, jovens e crianças, que não unicamente são o futuro, mas nosso presente”.