O governo da Argentina intensificou uma ofensiva diplomática contra a decisão da Inglaterra de explorar petróleo na região das Ilhas Malvinas.
Durante as reuniões do Grupo do Rio, que ocorrem de domingo (21) a terça-feira (23), em Cancún, no México, o chanceler da Argentina, Jorge Taiana, deve pedir o apoio do Brasil e dos demais países vizinhos para que colaborem com a iniciativa argentina. Na próxima semana, o impasse será tema da reunião de Taiana com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Kin-moon.
No último dia 16, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, reagiu à decisão do governo inglês de explorar petróleo na Zona Econômica Exclusiva das Ilhas Malvinas. A presidente assinou decreto que determina que embarcações estrangeiras transitem em águas argentinas apenas com autorização oficial. A medida dificulta o abastecimento das empresas inglesas e dos moradores do arquipélago.
“Concordo com a medida do governo e acho que os países do Grupo Rio devem apoiar a Argentina, não permitindo que os barcos com destino às Malvinas se abasteçam nos seus portos ou cruzem suas águas territoriais. Mas, na prática, sinto dizer, essa medida não é suficiente para reverter a situação”, disse à Empresa Brasil de Comunicação a historiadora e especialista em Geopolítica e Defesa Nacional, Elsa Gruzzone.
Segundo Gruzzone, os barcos ingleses poderão navegar em águas internacionais para alcançar as Malvinas e abastecer na Inglaterra. “O efeito da medida será encarecer a exploração de petróleo, porque seria mais fácil e mais barato para os ingleses abastecer em portos mais próximos na Argentina ou em outro país vizinho. Mas não será suficiente para dissuadi-los”, disse.
Pelas estimativas da empresa inglesa Desire Petroleum, proprietária da plataforma Ocean Guardian, há uma reserva potencial de petróleo de mais de 3,5 bilhões de barris. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que o preço do barril alcançará os US$ 100 até o final deste ano e será mantido em níveis elevados. Por isso, os especialistas afirmam que, mesmo mantida a decisão argentina, ainda compensa investir na exploração do setor.
Desde o século 19, argentinos e ingleses disputam a soberania das Malvinas. Em 1833, os ingleses assumiram o controle sobre as ilhas. Em 1982, os argentinos invadiram o arquipélago e houve um conflito armado com os ingleses – os primeiros saíram derrotados. No governo do ex-presidente Néstor Kirchner, que antecedeu o de sua mulher, Cristina Kirchner, foi feita uma campanha para que as ilhas voltassem ao controle argentino.
Ontem (18), o primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, afirmou ter adotado “todas as medidas necessárias” para proteger a soberania britânica sobre as ilhas Malvinas. Segundo ele, a expectativa é de que prevaleçam “discussões sensatas” com Buenos Aires. O governo argentino negou ameaças de confrontos armados na região.
“Quero deixar claro que nossas ações serão diplomáticas, de reivindicações, de protestos, mas de maneira alguma pensando em uma possibilidade de confronto com a Grã-Bretanha”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Argentina, Victorio Taccet.