O chanceler argentino, Héctor Timerman, afirmou hoje que “está aberto o caminho” para que a Unasul contribua para uma solução “pacífica” do conflito entre a Colômbia e a Venezuela, ao negar que a falta de acordo na reunião ministerial do fórum sul-americano em Quito seja “uma desilusão”.
“Não há nenhuma desilusão nem nenhuma ilusão, estamos trabalhando: é tudo”, comentou.
A Colômbia acusou hoje a Venezuela do fracasso da cúpula de chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que terminou sem acordos e com a decisão de deixar nas mãos dos presidentes dos membros do organismo a tarefa de buscar solução à crise bilateral.
Neste sentido, Timerman negou que este conflito tenha se infiltrado na agenda da cúpula do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, mais Venezuela em processo de incorporação) que acontece na segunda e terça-feira na cidade argentina de San Juan (noroeste).
“Não acho que o Mercosul deva tomar as rédias deste assunto. É um tema da Unasul (União de Nações Sul-americanas, que reúne 12 países da região)”, disse o chanceler argentino.
De todos modos, esclareceu que os presidentes do Mercosul, assim como os do Chile e da Bolívia, que confirmaram sua participação na cúpula, “têm um relação muito boa” e provavelmente conversarão informalmente sobre o assunto.
Timernam negou, além disso, informações segundo as quais o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, iria participar da próxima reunião de líderes do Mercosul.
Na reunião de chanceleres da Unasul realizada na quinta-feira em Quito, os representantes da Colômbia e Venezuela “fizeram uma apresentação muito boa de seus pontos de vista”, comentou.
“O caminho está aberto para que o secretário-geral da Unasul (o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner) contribua para resolver o conflito”, acrescentou.
Kirchner se reunirá na próxima quinta-feira em Caracas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e no dia seguinte se reunirá em Bogotá com o líder colombiano, Álvaro Uribe, e também com Santos, segundo porta-vozes do dirigente da Unasul, marido e antecessor da chefe de estado argentina, Cristina Fernández de Kirchner.
O conflito foi gerado por causa das denúncias do Governo de Álvaro Uribe sobre a suposta presença de chefes guerrilheiros colombianos na Venezuela, o que Chávez nega taxativamente. Na semana passada, o presidente venezuelano rompeu as relações com a Colômbia.