Como fez há exatos 60 anos, a rainha Elizabeth II se comprometeu nesta terça-feira diante de deputados e lordes a servir ao Reino Unido “nos próximos anos” em um histórico ato realizado no Parlamento que esteve marcado pela emoção e pela solenidade.
Com toda a pompa que a ocasião merecia, a soberana, de 85 anos, se dirigiu às duas câmaras do Parlamento – dos Comuns e dos Lordes – reunidas na grande sala de Westminster, a mais antiga de um edifício com mais de 800 anos de história, por ocasião de seu Jubileu de Diamantes.
Recebida de pé pelos convidados e ao som das trombetas dos guardas reais, como manda a tradição, a rainha Elizabeth II não surpreendeu os parlamentares ao manifestar, mais uma vez, sua total entrega e compromisso com o destino do Reino Unido.
Em seu discurso, a rainha – acompanhada por seu marido, o duque de Edimburgo – destacou a “resistência” e “tolerância” que identificam o Reino Unido e ressaltou o vínculo entre Parlamento e Monarquia como pilares do sistema político do país.
“Estar aqui nos lembra nosso passado, a continuidade de nossa história nacional e as virtudes de resistência, engenhosidade e tolerância que a criaram”, ressaltou a chefe de Estado, que usava um sóbrio vestido amarelo e chapéu da mesma cor.
Conhecida por seu senso de humor, Elizabeth II animou os convidados ao recordar que em suas seis décadas no trono despachou com 12 primeiros-ministros – o primeiro deles Winston Churchill – e assinou nada menos que 3,5 mil leis.
“Foi um privilégio ter sido testemunha de uma parte dessa história e, com o apoio da minha família, volto a dedicar meu serviço a nosso grande país e seu povo agora e nos próximos anos”, disse a rainha, que recebeu aplausos entusiasmados de deputados, lordes, figuras do mundo eclesiástico e convidados especiais.
Além disso, assegurou que nestes 60 anos foi vital o apoio que recebeu de sua família, especialmente do duque de Edimburgo, a quem classificou como sua “fortaleza” e seu “guia”.
Elizabeth II também causou risadas nos convidados ao afirmar “que não sou mais que a segunda soberana que celebra o Jubileu de Diamantes”, depois da rainha Vitória.
Antes que a soberana pronunciasse seu breve discurso, os presidentes das duas câmaras, a Baronesa Frances D’Souza, pelos lordes, e John Bercow, pelos Comuns, lhe agradeceram pelos 60 anos de serviço que ajudaram a transformar o Reino Unido.
Em nome dos Comuns, a Câmara baixa representante da população britânica, Bercow agradeceu a Elizabeth II seus anos de “estabilidade, segurança, certeza, sacrifício e serviço” que marcaram o país.
“Obrigado pelo que fez, pelo que está fazendo e pelo que fará pelo país”, disse Bercow, com a tradicional toga que veste durante as sessões parlamentares.
Visivelmente emocionada, a chefe de Estado recebeu vários minutos de aplausos dos convidados, que cantaram o tradicional “God Save The Queen” (“Deus Salve à Rainha”), o hino nacional britânico, no final do ato.
Durante a cerimônia, foi revelado um vitral criado a partir de 1,5 mil peças de cristal, com o escudo de armas da soberana e desenhado pelo artista britânico John Reyntiens, que os parlamentares deram de presente à rainha.
Além do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e do arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, estavam presentes os ex-chefes de governo trabalhistas Tony Blair e Gordon Brown.
Esta não foi a primeira vez que a rainha pronuncia um discurso no salão de Westminster, pois já fez o mesmo quando completou 25 e 50 anos no trono, em 1977 e 2002, respectivamente, respeitando uma tradição que remonta ao século 16.