O enviado especial do secretário-geral da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, viajará neste fim de semana a Moscou e a Pequim para abordar a crise síria com as autoridades russas e chinesas, anunciou nesta sexta-feira o porta-voz da ONU em Genebra.
As mesmas fontes anunciaram que a missão enviada por Annan a Damasco no início desta semana voltou a Genebra após três dias de negociações com as autoridades sírias.
Atualmente, Annan e sua equipe estão analisando as respostas que o regime de Bashar al-Assad deu ao plano delineado pelo ex-secretário-geral da ONU, especificaram as fontes.
Em Moscou, Annan se reunirá com o presidente russo, Dmitri Medvedev, e com o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, especificou a imprensa o porta-voz do enviado especial, Ahmed Fawzi.
A viagem a Pequim ainda está sendo organizada, por isso que o porta-voz de Annan não confirmou quem serão os interlocutores do ex-secretário-geral.
Em ambas as capitais, Annan discutirá os três pontos de seu plano de paz e as propostas concretas, ou seja, o fim imediato da repressão e as violações aos direitos humanos; a permissão para a entrada da ajuda humanitária ao país; e o início de um processo político.
Fawzi confirmou, além disso, que em Moscou e Pequim Annan “discutirá as recentes respostas de Damasco ao seu plano de paz”.
Esta equipe é formada por altos cargos políticos, analistas na manutenção da paz e em planejamento militar e logística.
Annan e sua equipe analisam atualmente “em profundidade” as respostas que o regime de Bashar al Assad deu ao plano delineado pelo ex-secretário-geral da ONU, antes de viajar às capitais dos dois países que mais apoio mostram à Síria.
Precisamente, Fawzi mostrou sua satisfação pela declaração aprovada por unanimidade pelo Conselho de Segurança sobre a Síria na qual se apoia plenamente e sem fissuras a missão de Annan.
“O enviado especial sente agora que tem todo o apoio do Conselho, incluído o daqueles países que são explicitamente próximos a Damasco”, especificou.
O porta-voz explicou que por enquanto não está planejado nenhuma visita de Annan a Damasco, mas garantiu que “as negociações continuam por telefone”, e que “em algum momento”, voltará à Síria.
“O que posso dizer é que as negociações estão em um ponto muito delicado”, especificou, e reiterou a preocupação de Annan pela situação no terreno.
“A situação de crise na região é muito cruel. Por isso temos de progredir com rapidez. Cada minuto conta e Annan é extremamente consciente disso”, disse.
A declaração de Fawzi coincidiu com a votação no Conselho de Direitos Humanos da ONU de uma declaração sobre a Síria de condenação mais uma vez ao regime por suas violações aos direitos humanos, classificadas de crimes contra a humanidade pela missão de investigação, reitera o chamado ao fim da repressão, e pede o acesso das agências humanitárias ao país.
Segundo as Nações Unidas, em um ano de conflito morreram ao menos 8 mil pessoas na Síria, o número de deslocados internos soma 200 mil e o de refugiados 30 mil.