Os três americanos detidos no Irã acusados de espionagem e de entrarem ilegalmente no país foram na realidade detidos em território iraquiano, revelou hoje o site da revista “The Nation”.
A revista realizou uma investigação durante cinco meses, durante os quais localizou duas testemunhas da detenção de Shane Bauer, Josh Fattal e Sarah Shourd, que asseguraram que os três jovens americanos foram detidos no lado iraquiano da fronteira e não no iraniano.
Outras duas fontes disseram que o funcionário da Guarda Revolucionária que teria ordenado sua detenção há quase um ano foi detido sob acusações de contrabando, sequestro e assassinato, segundo a revista.
Mark Toner, um porta-voz do Departamento de Estado americano, se declarou “desconcertado” pelo artigo da “The Nation”, mas disse que o Governo de Washington não tem provas que corroborem a informação.
No entanto, pediu novamente às autoridades iranianas que libertem os três turistas, assim como os outros cidadãos americanos detidos “injustificadamente” no Irã.
As testemunhas citadas pela revista moram em Zalem, um povoado curdo a poucos quilômetros da fronteira com o Irã, mas pediram anonimato por medo de represálias das forças iranianas.
Quando foram detidos, os três americanos estavam fazendo uma trilha em uma montanha na fronteira entre o Iraque e o Irã, que não conta com uma clara demarcação fronteiriça.
As testemunhas, que contam ter seguido os americanos por curiosidade, afirmaram que no dia 31 de julho, quando eles desceram da montanha, guardas uniformizados da Polícia Nacional do Irã pediram aos três que se aproximassem do lado iraniano da fronteira com gestos “ameaçantes”.
Quando ignoraram seus gritos, um agente disparou para cima e, diante da recusa dos jovens a se aproximar, o guarda cruzou a fronteira e deteve os americanos, segundo as testemunhas citadas pela revista.