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Mundo

Ameaça de queimar o Corão atrapalha o nono aniversário do 11 de setembro

Arquivo Geral

10/09/2010 18h29

A polêmica queima do Corão e a construção de uma mesquita perto do “Marco Zero” agitou o ambiente às vésperas da comemoração dos ataques de 11 de setembro, que durante oito anos foi realizado com solenidade e tranquilidade.

As autoridades planejaram, como em anos anteriores, cerimônias nos dois locais onde aconteceram os ataques, o “Marco Zero” em Nova York, e o Pentágono, em Washington, assim como a área da Pensilvânia onde caiu o quarto avião sequestrado que nunca chegou ao destino, o voo 93 da United.

O presidente Barack Obama deve assistir ao ato no Pentágono, enquanto a primeira-dama, Michelle Obama, irá com sua antecessora, Laura Bush, a Shanksville, na Pensilvânia.

O vice-presidente, Joe Biden, estará em Nova York para participar do maior ato comemorativo no local onde ficavam as Torres Gêmeas e onde morreram 2.752 pessoas.

Esta cerimônia será interrompida em quatro ocasiões com um minuto de silêncio, coincidindo com a hora em que os dois aviões se chocaram com os prédios e derrubaram as duas torres.

Mas o ambiente em que serão realizados estes eventos está mais pesado que em anos anteriores, segundo o presidente Obama.

Entre as principais causas está a ameaça do pastor da Flórida, Terry Jones, de queimar exemplares do Corão, e o projeto de construção de um centro islâmico perto do Marco Zero, que gerou um grande debate público.

O presidente disse que o dia de amanhã representa “uma oportunidade excelente” para se refletir sobre a tolerância religiosa.

Obama criticou de novo o pastor por “pôr em perigo” as tropas americanas que combatem no exterior, encorajando o extremismo islâmico. Queimar exemplares do Corão, disse, “é a melhor maneira possível de encorajar o recrutamento para a Al Qaeda”.

O presidente também se referiu hoje à polêmica construção de uma mesquita perto do Marco Zero, e insistiu que: “todos os homens e mulheres foram criados iguais e têm o direito de praticar a religião livremente”, por isso não se opõe ao projeto.

No entanto, reconheceu “a extraordinária sensibilidade” de tudo que é relacionado aos ataques de 11 de setembro, no qual morreram aproximadamente três mil pessoas, especialmente para as famílias.

A estas famílias, que amanhã homenagearão seus entes queridos, o presidente lembrou: “não estamos em guerra contra o Islã, estamos em guerra contra as organizações terroristas que usaram o Islã de forma distorcida para o próprio benefício”.

Embora as autoridades tentem reduzir a tensão midiática gerada por Terry Jones, o pastor voltou hoje a convocar a imprensa para insistir na ideia de que o projeto de construção de um centro islâmico perto do Marco Zero deve ser interrompido.

Jones chegou inclusive a dar um prazo de duas horas ao imame encarregado do projeto, Feisal Abdul Rauf, para que alterasse o local de construção da mesquita.

“Queimar o Corão não é bom, mas muito pior é construir um centro islâmico perto do lugar onde ficavam as Torres Gêmeas”, disse o porta-voz do polêmico pastor, T.K. Paul.

O prazo dado pelo pastor venceu sem que houvesse um anúncio oficial sobre a decisão de cancelar a queima dos exemplares do livro sagrado.

Terry Jones exigiu se reunir amanhã com o imame Feisal Abdul Rauf, coincidindo com o nono aniversario do 11 de setembro.

No entanto, o imame enviou hoje um comunicado à imprensa explicando que não tem planos de se reunir com Jones, embora esteja “disposto a se encontrar com qualquer pessoa que esteja seriamente comprometida em buscar a paz”.

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