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Aliado de Trump faz manobra para impedir votação que limitaria poder de guerra do presidente

Com isso, o aliado de Trump ganhou tempo para o presidente –graças ao feriado prolongado do Memorial Day nos EUA, o Congresso entra em recesso nesta quinta e só retorna no dia 1º de junho.

Redação Jornal de Brasília

21/05/2026 23h03

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Foto: Andrew Harnik/Getty Images

VICTOR LACOMBE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Mike Johnson, foi forçado a realizar uma manobra a fim de evitar que o governo sofresse grave derrota e visse aprovada uma lei restringindo os poderes de guerra de Donald Trump.


A votação, marcada para acontecer nesta quinta-feira (21), seria a quarta tentativa do Partido Democrata de aprovar uma medida que obrigue Trump a pedir autorização do Congresso para continuar a guerra no Irã. Johnson suspendeu a deliberação quando ficou claro que não teria votos suficientes para barrá-la.


Com isso, o aliado de Trump ganhou tempo para o presidente –graças ao feriado prolongado do Memorial Day nos EUA, o Congresso entra em recesso nesta quinta e só retorna no dia 1º de junho.

Entretanto, membros do Partido Republicano que se rebelaram contra Trump e se opõem à guerra disseram ao jornal The New York Times que, da próxima vez que a medida for ao plenário, será aprovada.


Se isso acontecer, a lei ainda precisa passar pelo Senado, também controlado pelos republicanos, antes de ir à sanção presidencial, quando certamente será vetada. Em seguida, os deputados e senadores precisariam derrubar o veto por uma maioria de dois terços em sessão conjunta, algo que, por enquanto, é bastante improvável.


Ainda assim, o descontentamento com o presidente entre a base republicana cresce. Na terça-feira (19), o Senado americano avançou uma lei semelhante à da Câmara, conseguindo superar o número de votos necessário graças à rebelião de um único senador republicano, Bill Cassidy, da Louisiana. No domingo (17), Cassidy foi derrotado nas primárias por um candidato apoiado por Trump e terá que deixar a Casa no ano que vem.


Trump enfrenta hoje seus piores números de aprovação em meio a uma guerra impopular que ameaça aumentar os preços nos EUA e no mundo e pode resultar em um desastre eleitoral em novembro, quando os americanos renovam a Câmara e dois terços do Senado nas eleições de meio de mandato.


Os democratas pretendem se aproveitar do mau momento do governo. Membros da oposição vem acusando repetidamente o presidente de iniciar o conflito de maneira ilegal, uma vez que a Constituição americana dá apenas ao Legislativo o poder de declarar guerra.


A Casa Branca argumentou inicialmente que o conflito não se tratava de uma guerra aberta e, portanto, não necessitaria de aprovação do Congresso. Depois, disse se basear em uma cláusula regimental segundo a qual o presidente tem 60 dias para buscar apoio do Legislativo a fim de conduzir uma guerra.


Quando esse prazo se esgotou, o Executivo passou a dizer que, com o cessar-fogo em vigor entre Washington e Teerã desde o dia 8 de abril, o prazo de 60 dias estava congelado.


Em mais um sinal de que seu controle sobre o partido não é absoluto, Trump viu nesta quinta congressistas republicanos abandonarem os planos de votar um projeto de US$ 72 bilhões (R$ 360 bilhões) destinado a financiar a política de deportação em massa do governo.


O movimento foi uma resposta às exigências do presidente relacionadas a gastos considerados controversos até mesmo por seus correligionários, como a criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão para indenizar supostas vítimas da “instrumentalização política” do governo e outro de US$ 1 bilhão para a construção do novo salão de festas da Casa Branca.


O fundo de instrumentalização pode beneficiar aliados de Trump e pessoas condenadas pelos ataques ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, quando uma turba apoiada pelo então presidente em seu primeiro mandato invadiu o Congresso para tentar impedir a certificação da vitória do democrata Joe Biden.

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