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A.Latina deve se preparar para mudanças na política monetária dos EUA

Arquivo Geral

22/05/2008 0h00


A América Latina deve estar preparada para caso, check em algum momento, physician os Estados Unidos optem por um “rápido aumento” de sua taxa de juros, o que provocaria uma mudança “drástica” na política monetária, similar às que no passado causaram problemas à região, advertiram hoje especialistas.

Membros do Comitê Latinoamericano de Assuntos Financeiros (CLAAF) opinaram em uma teleconferência que a região, exceto América Central e o Caribe, foi “ganhadora líquida” na crise da alta dos preços dos alimentos, mas previram que isto “será um problema a curto prazo”.

Durante a teleconferência com jornalistas em Washington, os especialistas disseram que a maior ameaça aos países da região é a inflação e que os controles de preços e as restrições às exportações “agravam” o problema inflacionário.

O comitê de especialistas sustenta que a alta dos preços dos alimentos se deve a uma maior demanda de países como China e Índia, a políticas monetárias como a “forte” redução dos juros e a injeção de liquidez disposta pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano).

“Não se sabe em que proporção influem estes dois fatores. Achamos que a maior injeção de liquidez de parte dos países industriais terá de ser retirada”, manifestou a presidente da CLAAF, Liliana Rojas-Suarez.

Segundo ela, “haverá em algum momento um rápido aumento das taxas de juros nos Estados Unidos” e a América Latina “deve se preparar, pois já sofreu com isso no passado”.

Portanto, recomendou às instituições monetárias da América Latina que “fiquem atentas às expectativas inflacionárias” e preparem medidas para enfrentar problemas financeiros.

Os especialistas destacaram que as projeções de inflação na América Latina estão disparando e que o caso do Chile, “um país de sucesso econômico”, onde ela já supera agora 8% ao ano contra 4% ou 5% esperados.

Os analistas consideram que a política do Fed para impedir uma recessão econômica ou diminuir sua duração deteriorou o dólar e gerou uma expectativa de maior depreciação da moeda americana.

Na América Latina, “há bancos centrais com credibilidade e outros sem. Os que não têm ou não alcançaram resultados (contra a inflação) terão de aumentar as taxas de juros”, opinou Roberto Zahler, ex-presidente do instituto monetário do Chile.

“Ao acentuar os aspectos monetários (dos problemas da economia mundial), estamos chamando a atenção para o problema que será a alta dos alimentos no curto prazo”, comentou por sua vez o analista argentino Pablo Guidotti.

“Não foram bons os resultados do controle de preços e das restrições às exportações”, disse referindo-se a essas políticas, seguidas pela Argentina, que “restringem a oferta” alimentícia.

Com isso, “contribuem para agravar o problema” da alta de preços, acrescentou Guidotti.

O analista destacou que organismos internacionais “calcularam que os controles e restrições explicam os 30%” dos últimos aumentos e ressaltou que “há setores sociais sofrendo com isso”.

Ernesto Talvi, ex-diretor do Banco Central do Uruguai, disse que nos mercados internacionais há sinais que poderia mudar a política monetária americano.

“À medida que forem mais evidentes as pressões inflacionárias, é possível que o Federal Reserve tome medidas bastante drásticas”, disse.

Para Talvi, a taxa de juros está baixa demais e essa tendência parou, o que, na sua opinião, “gera um endurecimento da política monetária” dos Estados Unidos.

O economista uruguaio advertiu que poderiam se repetir os problemas sofridos pelos países latino-americanos no início dos anos 80, quando os EUA aumentaram rapidamente suas taxas de juros.

“Já não temos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) como auditor. É preciso reconstituir algum tipo de autoridade” na qual todos os países acreditem, disse o argentino Guillermo Calvo, que foi economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).


 

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