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Al-Shabab responde com "guerra entre Corão e Bíblia" na Somália

Arquivo Geral

09/09/2010 11h46

A milícia islâmica somali de Al Shabab, ligada à Al Qaeda, afirmou que a luta que mantém na Somália para criar um estado muçulmano radical responde a uma “guerra entre o Corão e a Bíblia”, em resposta ao plano de um pastor evangélico dos Estados Unidos de queimar o livro do Islã.

Durante um discurso aos presentes à oração da noite de ontem em uma mesquita de Mogadíscio, Fuad Mohamed Khalaf, o terceiro no comando da Al Shabab, disse que a luta de seu grupo em Mogadíscio e “a luta mundial da Al Qaeda é entre cristãos e muçulmanos”.

Segundo indicou o dirigente muçulmano radical somali, “a guerra é entre o Corão e a Bíblia, entre a igreja e a mesquita, assim o devemos entender para lutar contra os seguidores da igreja”.

Khalaf ressaltou que, “ao planejar o ‘Dia de queimar o Corão’ nos Estados Unidos, que será no sábado, deixam claro que seus planos são a luta entre a igreja e a mesquita” e assegurou que realizarão uma “dolorosa vingança” contra os ocidentais “seguidores da igreja”.

O pastor fundamentalista Terry Jones, de uma igreja da Flórida, assegurou que queimarão exemplares do Corão no próximo sábado, quando completar o nono aniversário dos atentados contra os Estados Unidos de 11 de setembro de 2001.

Dirigentes religiosos e políticos de todo o mundo condenaram os planos de Jones, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quem disse que poderiam provocar uma “grande onda de violência” contra as tropas de seu país no Afeganistão e no Iraque e facilitar o recrutamento de combatentes à Al Qaeda.

Khalaf assinalou ao chefe do Estado de Uganda, Yoweri Museveni, como dirigente cristão e disse a seus seguidores que “Museveni é o chefe dos bispos na África e não um presidente.

As tropas de Uganda e Ruanda que formam a Amisom defendem o Governo Federal Transitório, apoiado pela comunidade internacional, dos ataques de Al Shabab e outros grupos islâmicos radicais que tratam de derrocá-lo para impor um estado de corte wahhabista.

“Se (Museveni) não obedece nossa exigência (de retirar suas tropas), prometo que atacaremos Campala e o resto de Uganda de novo”, disse Khalaf em referência aos atentados suicidas ocorridos na capital ugandense em 11 de julho, assumidos pela Al Shabab, nos quais morreram ao menos 76 pessoas.

Hoje mesmo, porta-vozes da Polícia e do Ministério da Defesa ugandenses confirmaram que reforçaram a segurança em Campala diante das ameaças da Al Shabab de realizar atentados terroristas na cidade durante as celebrações do fim do mês sagrado de jejum muçulmano do Ramadã, que acaba nesta noite.

O discurso de Khalaf ocorreu horas antes de um atentado com explosivos assumido pela Al Shabab, realizado por três terroristas suicidas, que explodiram seus carregamentos e causaram ao menos 11 mortos no aeroporto de Mogadíscio, uma das poucas instalações da capital somali controladas pela Amisom.

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