O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou nesta quarta-feira que as reformas políticas não são prioritárias e acrescentou que não podem estar vinculadas ao clima de revoltas na região.
Em discurso no Parlamento, Al-Assad afirmou que assuntos como a revogação do estado emergência, vigente desde 1963, e a formação de novos partidos políticos têm menos prioridade do que a preservação da estabilidade e “a saúde das crianças”.
“O estado de emergência pode criar algum sofrimento à população, mas, por outro lado, não podemos adiar nossa preocupação pela saúde das crianças”, afirmou, limitando-se a lembrar um anúncio feito na quinta-feira passada no qual o regime se comprometia com a revogação, mas sem especificar a data.
“As relações entre o povo e seu governo não deveriam ser construídas sob pressões”, disse o presidente.
“Falamos sobre a revogação da lei de emergência e a criação de partidos políticos em 2005, quando não havia pressões. Esse foi o começo do processo de reformas”, acrescentou.
Al-Assad, no poder desde 2000, disse que as reformas políticas começaram há dez anos e se prolongarão por outros dez, mas não podem estar ligadas a “condições específicas”, como a atual onda de revoltas na região.
“É certo que estamos atrasados, mas isto se deve a outras prioridades. Nossa prioridade é a estabilidade da Síria, é um fato, mas não uma justificativa”, insistiu.
Na primeira mensagem divulgada desde que explodiram as manifestações que causaram dezenas de mortes, o governante insistiu que a Síria está sendo vítima de uma “grande conspiração”.
“O último objetivo da conspiração contra a Síria é que renuncie à resistência contra Israel”, disse o presidente em discurso no Parlamento sírio transmitido pela televisão.
Al-Assad afirmou que os conspiradores, que “são uma minoria”, querem que o regime sírio abra mão de suas principais prioridades, que são manter a unidade e a estabilidade do país e satisfazer as principais necessidades da população.