O fabricante aeronáutico europeu Airbus continua a favor de um acordo com seu concorrente americano Boeing sobre a disputa pelas ajudas para o desenvolvimento de aviões que mantêm na Organização Mundial do Comércio (OMC), que na semana passada apresentou um relatório provisório que dá parte da razão ao segundo.
O presidente da EADS – casa matriz de Airbus -, Louis Gallois, reiterou que “sempre fomos favoráveis a um novo acordo” com a Boeing para pôr fim ao procedimento perante a OMC, mas, se não for possível, a disputa será levada até seu termo.
Em entrevista publicada hoje pelo jornal francês “La Tribune”, Gallois advertiu que isso significaria que a sentença final não chegará até 2012-2013 e, além disso, “não terá formalmente capacidade retroativa” e com isso só poderá “eventualmente mudar o sistema para o futuro”.
Sobre o relatório do órgão de disputas da OMC da semana passada, e sobre uma denúncia dos EUA contra a União Europeia (UE) – na prática, da Boeing contra a Airbus -, o presidente da EADS lembrou que simultaneamente há outra denúncia da Airbus contra a Boeing (formalmente, da UE contra os EUA) também por ajudas públicas recebidas, neste caso, pela companhia americana.
“A única coisa que lamento é que haja uma defasagem nos calendários dos dois painéis” que instruem as duas demandas, já que o fato de não se ter elaborado ainda o relatório da denúncia da Airbus contra a Boeing “introduz um desequilíbrio”.
Sobre o fundo do assunto, Gallois insistiu em que os adiantamentos reembolsáveis que os Estados deram à Airbus para o desenvolvimento de seus aviões “têm uma vantagem, sua transparência”, já que “todo o mundo conhece o volume e as condições”.
Além disso, esses avanços foram reembolsados após o desenvolvimento dos aviões das famílias A320 e A330, disse.
No entanto, Gallois denunciou que, no caso da Boeing, “há um sistema obscuro de subvenções de todo tipo” e o grupo americano recebe dinheiro da Nasa, do Pentágono, dos estados americanos e inclusive do Japão e da Alemanha.
“É um sistema complicado (…) sobre o qual a OMC deverá se pronunciar em virtude da denúncia da União Europeia”, concluiu.