O aiatolá iraniano Yousef Sanei, um dos clérigos mais influentes do país, criticou nesta segunda-feira o regime por impedir que os líderes opositores Mir Hossein Mousavi e Mahdi Karroubi, que aparentemente foram detidos e estão em uma prisão, possam se defender publicamente e perante um tribunal.
“Nos julgamentos políticos do regime do Xá, o último rei do Irã, pelo menos era permitido aos acusados defender sua postura e pensamento”, afirmou o grande aiatolá em declarações divulgadas pelo site opositor “Kaleme.org”.
“Alguns acham que os protestos dos opositores não têm base e os consideram mentiras e argúcias, mas embora controlem os meios de comunicação são incapazes de abrir um julgamento para que os opositores e críticos políticos possam defender suas opiniões e a sociedade possa julgar”, acrescentou.
Um porta-voz judicial anônimo negou nesta segunda-feira que Mousavi e Karroubi tenham sido presos.
O site insiste que o ex-primeiro-ministro e o antigo presidente do Parlamento foram transferidos para a prisão de Heshmatieh, no leste de Teerã, após passar 15 dias trancados e incomunicáveis pela Polícia em seus respectivos domicílios.
O isolamento de ambos foi confirmado também pelo procurador-geral do Irã e porta-voz do Poder Judiciário, Gholam Hussein Mohseni Ejei, que advertiu a população que as Forças de Segurança atuarão se os protestos forem retomados.
“O primeiro passo foi dado. Suas relações foram bloqueadas, tanto pessoais quanto telefônicas”, afirmou antes de advertir que se for necessário será tomada uma série de medidas de coerção.