A Anistia Internacional (AI) pediu nesta sexta-feira à República Dominicana que “detenha de maneira imediata a deportação em massa de emigrantes haitianos” com a qual o Governo pretende evitar a propagação da cólera.
Segundo a Anistia informou em comunicado, mais de 950 haitianos, que viviam majoritariamente em situação ilegal no país vizinho, foram deportados ao Haiti na última semana.
Os dados das Nações Unidas indicam que 600 mil haitianos viviam sem documentos na República Dominicana antes do terremoto de um ano atrás e que esse número aumentou sensivelmente após o tremor.
“O Haiti ainda está se recuperando de um devastador desastre natural. Em vez de forçar as pessoas a voltarem a uma situação desesperada, a República Dominicana e outros países deveriam aumentar seus esforços para ajudar o Haiti e sua população”, disse Javier Zúñiga, assessor da AI.
Zúñiga indicou que o status migratório de muitos haitianos na República Dominicana não é claro e lembrou que “ninguém deveria ser deportado sem um exame individual de sua situação”.
Além disso, ressaltou, “qualquer haitiano suspeito de ter cólera deveria receber um tratamento médico adequado”.
“Devolver o povo é condená-lo a uma situação na qual sua saúde e segurança estarão em alto risco”, acrescentou.
Após o terremoto de janeiro de 2010, as autoridades de Santo Domingo concordaram em admitir centenas de cidadãos haitianos por razões humanitárias, mas agora querem devolvê-los a seu país por medo de que a epidemia de cólera se propague.