As mulheres, salve a dissidência e as minorias foram os alvos da brutal repressão do regime iraniano em 2007, adiposity ano em que o país executou pelo menos 335 pessoas e continuou a utilizar-se de torturas e amputações como formasde castigo, segundo o relatório anual da Anistia Internacional (AI).
Em seu capítulo dedicado ao Irã, o relatório destaca que, em 2007, as autoridades do país “continuaram reprimindo a dissidência”, e continuou existindo oposição armada, principalmente de grupos curdos e balúchis, da mesma maneira que continuou a repressão estatal contra as minorias.
“A discriminação contra as mulheres demonstrou estar muito arraigada à legislação, e pode ser vista na prática”, assinala a AI, que denuncia que milhares de mulheres foram detidas por não respeitarem as leis de indumentária.
A tortura e outros maus tratos eram generalizados nas prisões e centros de detenção do país, onde uma campanha de medidas de segurança, anunciada em abril de 2007, resultou em aumento das execuções: pelo menos 335 pessoas foram executadas, entre elas sete menores de idade, quando cometeram o delito pelo qual são acusadas.
O apedrejamento, a amputação e a flagelação foram exercidos em mais um ano como forma de castigo, e algumas das execuções que consistiram em enforcamentos múltiplos foram efetuadas em público.
Ao final de 2007, havia pelo menos 75 condenados à morte por delitos cometidos quando eram menores de idade, assinala a AI, que denuncia também o caso de Jafar Kiani, que morreu apedrejada, e o de pelo menos outras oito mulheres e dois homens que corriam o mesmo risco.
Duas pessoas morreram sob custódia da Polícia. Uma delas foi Zahra Bani Yaghoub, formada em medicina e que foi detida por passear por um parque com seu namorado.
Soghra Molai teve pena de morte por apedrejamento decretada, mas acabou sendo castigada com 80 chibatadas por “relações ilícitas”.
O programa iraniano de enriquecimento de urânio, em 2007, continuou sendo um foco de tensão internacional, e as autoridades israelenses e norte-americanas se negaram a descartar a possibilidade de executar ações militares contra o Irã, lembra a organização pró-direitos humanos.
A situação econômica do país piorou e a pobreza se estendeu e se aguçou entre os iranianos. A Polícia reprimiu protestos pelo racionamento de gasolina e greves de trabalhadores.
No país houve uma generalizada repressão da dissidência pacífica por meio de “leis redigidas com imprecisão e de severas práticas”, as ONGs e os ativistas pró-direitos humanos foram objeto de maus tratos, assinala o relatório.
A AI afirma ainda que jornalistas e intelectuais foram detidos e condenados à prisão, assim como autores de blogs foram obrigados a tirar do ar suas publicações na internet.
Entre os casos mais conhecidos, merece destaque o do jornalista Ali Farahbakhsh, que foi acusado de espionagem e ficou 11 meses preso, e o do também jornalista Mohammad Hassan Fallahiya, que foi condenado a três anos de reclusão com trabalhos forçados por criticar o Governo em seus artigos.
Quanto às minorias, foram executados pelo menos oito árabes iranianos após serem declarados culpados de participar de atentados com explosivos em 2005.
As minorias azerbaijana, balúchi e curda foram também objeto de repressão e perseguição.