Dois anos após sua polêmica reeleição, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, pisa em ovos, imerso em uma queda-de-braço pelo poder e com a popularidade em baixa devido ao sua controvertido programa de reforma política e econômica.
Apesar dos protestos da oposição liberal, o líder passou por cima dos resultados questionáveis e das manifestações e mandou prender os opositores para garantir sua permanência no poder.
Uma ambição que lhe rendeu animosidade tanto das forças laicas conservadoras como da casta clerical, que acredita que as prerrogativas adquiridas após a revolução de 1979 estão ameaçadas.
A seu favor parece contar com um forte apoio nas províncias, onde muitos governadores foram nomeados durante seu mandato, e das categorias da poderosa Guarda Revolucionária, bastião ideológico do regime, que é a máxima beneficiada de sua política de privatizações.
Fortemente pressionado pelos altos comandantes desse corpo de elite e pelos clérigos de mais hierarquia, que advertiram não superestimar seu poderio, Ahmadinejad não fraquejou e mantém seu caráter combativo apesar de ter sofrido várias derrotas.
Perante críticas, o presidente optou por uma estratégia que definiu na semana passada com uma frase enigmática: “o silêncio cria unidade”, a mesma tática escolhida pela oposição, que neste domingo convocou à população a se reunir no centro de Teerã com as bocas seladas.
Segundo analistas, a chave do futuro está mesmo nas eleições parlamentares, previstas para março de 2012.