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África do Sul inaugura primeira fábrica de vacinas anticovid do continente

A África do Sul é o país mais afetado do continente pela covid-19, registrando mais de 3,5 milhões de casos e 93.400 mortes

Foto: Kola Sulaimon/AFP

A África do Sul, líder na luta pela igualdade no acesso às vacinas anticovid, inaugurou nesta quarta-feira (19) na Cidade do Cabo a primeira fábrica do continente para todos os tipos de vacinas, financiada pelo bilionário da biotecnologia Patrick Soon-Shiong.

O objetivo é o desenvolvimento de “uma vacina de segunda geração e queremos fabricá-la na África, para a África e exportá-la para o resto do mundo”, afirmou o empresário americano de origem chinesa, nascido na África do Sul. As primeiras vacinas serão produzidas este ano e espera-se que chegue a um bilhão de doses por ano em 2025.

O desenvolvimento de vacinas de segunda geração tem como finalidade, particularmente, mitigar a perda de eficácia com o tempo das de primeira, mas também combater o eventual surgimento de novas variantes do coronavírus.

“Hoje provamos que estamos nos tornando autossuficientes enquanto continente e devemos nos sentir orgulhosos pelo que estamos conquistando”, disse no ato de inauguração junto ao presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.

A África do Sul é o país mais afetado do continente pela covid-19, registrando mais de 3,5 milhões de casos e 93.400 mortes.

Todo o continente conta mais de 10 milhões de casos, de acordo com dados da União Africana (UA).

Os contágios dispararam após a aparição da variante ômicron, precisamente na África do Sul no final de novembro.

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No entanto, a vacinação de quase 1,2 bilhão de africanos continua baixa e lenta, devido às dificuldades de abastecimento e ao ceticismo de boa parte de sua população. Além disso, o continente produz menos de 1% das vacinas administradas em todo seu território, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No final de 2020, África do Sul e Índia propuseram à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma suspensão dos direitos de propriedade intelectual para tratamentos e vacinas contra a covid-19. Muitas ONGs e Estados seguiram seu exemplo.

Este assunto, que voltou a fazer parte da agenda da conferência da OMC, prevista para novembro e adiada por causa da variante ômicron, ainda não teve uma solução.

A África do Sul conta com dois laboratórios que fabricam e embalam vacinas anticovid: o Instituto Biovac, também em Cidade do Cabo, começaria a fabricar a partir do início deste ano com o imunizante da Pfizer-BioNTech, e o gigante farmacêutico Aspen com o da Johnson & Johnson em Gqeberha (sul).

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Soon-Shiong fez sua fortuna graças a um medicamento contra o câncer denominado Abraxane. Também é acionista da equipe americana de basquete Los Angeles Lakers.

© Agence France-Presse








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