O grupo de países africanos que participa da Cúpula do Clima em Cancún fez nesta sexta-feira um pedido de “honra” para que o Japão respeite o Protocolo de Kioto e aceite um segundo período de compromissos do acordo, ao qual se opõe junto a Canadá e Rússia.
O presidente do grupo de países africanos, o congolês Tosi Mpanu, apelou para o valor histórico que tem para o Japão o Protocolo de Kioto, cidade japonesa onde o acordo foi aprovado em 1997, para pedir ao país que apoie um segundo período de compromissos.
“Se a honra é tão importante para eles, esperemos que respeitem este tratado”, disse Mpanu em entrevista coletiva.
A África, o grupo de países menos desenvolvidos (LDC, na sigla em inglês) e os países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) fizeram nesta sexta-feira um último pedido às nações desenvolvidas para que se comprometam nesta conferência a apoiar a extensão do tratado.
“Os países desenvolvidos devem fazer o correto, agora é o momento para mostrarem sua liderança climática”, disse Bruno Sekodi, presidente do LDC.
Sekodi garantiu que a situação do clima é alarmante e situou os países menos desenvolvidos em uma luta pela sobrevivência.
O representante da Alba, o embaixador boliviano Pablo Solón, exigiu um resultado concreto da cúpula que permita estender o Protocolo e controlar o aumento da temperatura do planeta.
O centro do debate da Cúpula é a prorrogação deste protocolo que expira em 2012 e que procura reduzir as emissões dos gases que causam o aquecimento global.
O Japão, com o apoio de Canadá e Rússia, não quer este segundo período de compromissos caso países não signatários, como EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul, não se comprometam às mesmas reduções que os demais.
As delegações que participam da Cúpula intensificaram seus trabalhos e embora a reunião acabe nesta sexta-feira não está descartado que seja prolongada até sábado.