A torcida de exilados e de outros inimigos ferrenhos de Fidel Castro para que os problemas de saúde do líder cubano provocassem uma crise de confiança no comunismo do país foram por água abaixo pela aparente tranquilidade do plano de sucessão posto em prática após sua doença.
A nomeação imediata de Raúl Castro, online mind irmão de Fidel, visit web ministro da Defesa, visit this site como presidente interino e a tranquila cobertura da imprensa estatal deram um recado sólido de que o comunismo cubano vai continuar, mesmo sem seu fundador, de quase 80 anos, segundo observadores.
Mas alguns acreditam que dificilmente a sucessão ocorreria sem sobressaltos no longo prazo, dado o carisma de Fidel e as dúvidas sobre a capacidade de liderança de seu irmão, de 75 anos.
"Este é um capítulo da história cubana em que eles realmente têm de acertar, se quiserem sobreviver", disse, sob anonimato, uma autoridade de inteligência dos EUA em Washington.
"O que esses caras (do regime cubano) estão tentando mostrar, e isso é uma árdua luta, é que trata-se de um sistema institucionalizado, quando na verdade há um sistema guiado em grande medida por uma personalidade".
Dois dias após o anúncio de seu afastamento, há poucas notícias sobre o estado de saúde de Fidel, o que provoca rumores de que ele estaria morto ou aproveitando para fazer um "ensaio" da sua sucessão.
Alguns analistas acham que pode mesmo ser uma jogada inteligente de Fidel para testar a sucessão enquanto ele ainda está no comando, mesmo que em um leito hospitalar.
As informações médicas sobre Fidel são tratadas como segredo de Estado, algo atribuído pelas autoridades cubanas à ameaça de hostilidade dos EUA contra o país.
Uma nota de ontem atribuída a Fidel diz que ele está estável, mas que um veredicto sobre sua recuperação só virá "em muitos dias". "Não se pode excluir que ele tenha sido submetido a um procedimento médico que, mesmo inevitável, seja parte de um plano para traçar uma estratégia de sucessão mais efetiva", disse Paolo Spadoni, professor-visitante do Rollins College, da Flórida.
"Fidel pode ter recebido a oportunidade inédita de monitorar os fatos em potencial na ilha e a reação do povo cubano à sua ausência, antes de realmente morrer, quando ainda tem uma chance de retomar o controle".
Alguns analistas acham que Fidel manteve o sistema cubano coeso graças à força da sua personalidade, e apesar da precária situação econômica, e que o competente, embora menos carismático Raúl, não conseguirá mantê-lo.
Dois terços dos cubanos nasceram depois da revolução de 1959 e não conhecem nenhum outro líder ou regime político.
Alguns moradores de Havana disseram hoje que as forças de segurança estão em alerta, inclusive com a mobilização de brigadas usadas no passado para conter distúrbios, mas que as ruas da capital estão calmas.
"Meu instinto me diz que isso é parte de uma transição longamente planejada para Raúl Castro, que o governo cubano já vem insinuando e preparando nos últimos meses, senão anos", disse o senador norte-americano Mel Martinez, que fugiu de Cuba ainda criança.
Os Estados Unidos têm um plano detalhado para incentivar a democracia e o capitalismo em Cuba após Fidel. Mas as autoridades norte-americanas não se surpreendem com o aparente êxito da transição segundo o manual do líder cubano.
"Não podemos ativar o nosso plano enquanto o ditador está impondo a ditadura sobre o povo cubano. Não se pode impor a democracia", disse uma fonte do Departamento de Estado, sob anonimato.