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Advogado confirma ida para os EUA de soldado acusado de matar 16 afegãos

Arquivo Geral

16/03/2012 16h18

O advogado do soldado americano acusado de assassinar 16 civis afegãos no fim de semana passado confirmou, nesta sexta-feira (16), o ida do militar para a base de Fort Leavenworth, no Kansas (EUA).

O soldado foi levado na quarta-feira passada do Afeganistão para o Kuwait, onde esteve em prisão preventiva para garantir a integridade do suspeito e se espera que ele chegue à base militar americana nesta sexta-feira, segundo antecipou à “CNN” o advogado John Henry Browne.

Browne disse que falou com seu cliente na quinta-feira, não por muito tempo, porque temia que as linhas não fossem seguras e assinalou que não pode responder às informações sobre se o soldado tinha ingerido álcool antes de ter ocorrido o massacre.

“Não sabemos nada sobre (seu) estado de ânimo. Não sabemos nada sobre os fatos do caso, e se se pode provar do que está sendo acusado”, disse Browne.

A defesa do soldado considerou que não há sentido em especular sobre supostos problemas de seu cliente com sua esposa como um fator no tiroteio.

Segundo o jornal “The Washington Post”, o casal tinha problemas financeiros, mas nada grave, segundo o advogado, assegurando que o casamento é sólido e que, na breve conversa que mantiveram, o defendido pediu que transmitisse seu carinho a sua esposa e a seus filhos.

O advogado assinalou que seu cliente é um soldado que tem um histórico “exemplar”, foi condecorado e ferido no Iraque, onde sofreu um traumatismo cerebral e perdeu parte de um pé, e mesmo assim foi enviado de novo à frente de batalha.

“Não entendo por que voltaram a mandá-lo para o Afeganistão”, assinalou o advogado, que segundo as conversas que teve com seus familiares, eles não esperavam que fosse para a frente de batalha de novo e o soldado não queria ir.

Browne insistiu em que não sabe se o álcool foi um fator ou não, mas considerou que seguramente o estresse foi um fator: “Quem não vai ficar sob estresse em um pequeno acampamento no Afeganistão com 20 pessoas no meio do nada?”, assinalou.

O advogado também assinalou que no dia anterior ao massacre, o suspeito viu como outro soldado da base perdeu uma perna, fato que afetou todos os companheiros.

Browne adiantou que este será um caso mais político do que legal. “Este foi um fato internacional e é muito delicado para nosso Governo e para outros Governos”, assinalou.

O caso se prevê ainda mais midiático já que Browne foi o representante legal em vários casos conhecidos, como o do assassino em série Ted Bundy e o de Colton Harris-Moore, conhecido como “o bandido descalço”, que manteve em xeque o FBI por todo o país.

O soldado, cuja identidade não foi revelada, é suspeito de ter deixado o posto de Camp Belambay a pé no domingo e ter se dirigido rumo a várias casas próximas no distrito de Panjwai na província de Kandahar, onde supostamente abriu fogo.

No entanto, ainda não recebeu as acusações formalmente.

Fontes afegãs informaram que no tiroteio morreram nove crianças, três mulheres e quatro homens, no entanto, as Forças Armadas americanas não deram um número de vítimas.

A esposa, que segundo o advogado está em estado de “choque” após o fato, e os dois filhos do soldado foram levados por motivos de segurança para a base de Lewis-McChord, situada no estado de Washington (costa oeste), à qual pertence o militar.

Browne assinalou que seu cliente poderia ser sentenciado à pena de morte – “certamente, não está excluída neste momento” -, embora tenha destacado que sua esperança é que não se chegue a esse extremo.

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