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Acusações do Google à China reativam debate sobre ciberataques

Arquivo Geral

02/06/2011 16h45

 As acusações feitas pelo Google de ter sofrido um ataque de hackers da China agitaram as tensões entre Pequim e Washington, exatamente quando o Pentágono trabalha em estratégias para enfrentar um possível ciberataque estrangeiro.

“O Google nos informou destas acusações, o que gera sérias preocupações e questões. Esperamos que o governo chinês ofereça uma explicação”, disse a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em comunicado.

“A capacidade de operar com confiança no ciberespaço é fundamental para a sociedade e a economia modernas”, acrescentou Hillary.

O gigante da web anunciou nesta quarta-feira o desmantelamento de um “plano de roubo de senhas de centenas de contas do Gmail de altos funcionários dos Estados Unidos, ativistas políticos chineses, servidores de diversos países asiáticos (especialmente da Coreia do Sul), militares e jornalistas”.

Segundo o Google, aparentemente o plano havia sido lançado da cidade chinesa de Jinan.

A China, por sua vez, rebateu rapidamente as acusações, qualificando-as como “inaceitáveis”.

Além disso, o porta-voz de turno do Ministério das Relações Exteriores, Hong Lei, afirmou que existiam “motivos ocultos” para atribuí-las à China.

“Os ataques cibernéticos são um problema internacional do qual a China também é vítima. As acusações dos supostos ataques são totalmente infundadas”, manifestou Hong em entrevista coletiva.

As declarações do Google com relação às autoridades de Pequim coincidem com a nova estratégia de defesa militar para possíveis ciberataques na qual o Pentágono está trabalhando, que é parte de sua adaptação a novos tipos de ameaças.

O “The Wall Street Journal” revelou na terça-feira um documento interno do Departamento de Defesa dos EUA que revela que se estuda a ideia de “equivalência” para ciberataques que causem vítimas civis. Nesse caso, poderia ser dada uma resposta militar, incluindo o “uso da força”.

Para acrescentar mais inquietação, a empresa Lockheed Martin Corp, um dos maiores fornecedores de equipamento tecnológico de Defesa do governo americano, denunciou no domingo que havia sofrido um ciberataque em seus sistemas de informação.

O episódio teria ocorrido no sábado, 21 de maio, quando a equipe de segurança da companhia detectou um “grande e insistente” ataque e imediatamente tomou medidas para proteger todos os seus sistemas.

Enquanto isso, foram divulgados novos dados sobre o ataque ao Google, que poderia ter como origem um falso documento intitulado “Minuta de Comunicado Conjunto EUA-China” que circulou em contas de e-mail no Departamento de Estado e de Defesa dos Estados Unidos.

Ao fazerem o download do documento, os usuários eram reenviados a uma página falsa do Gmail que capturava a senha e roubava os dados pessoais da conta, uma prática conhecida como “phishing”.

“Não eram ataques novos ou sofisticados, mas eram invasivos”, explicou em seu blog Mila Parkour, a investigadora que alertou o Google sobre o ataque.

As tensões entre o Google e as autoridades chinesas também não são novas. Três meses atrás, o portal acusou a China de causar lentidão nas contas de e-mail de seus usuários e afirmou que o ciberataque havia sido “cuidadosamente planejado para que parecesse que o problema era do Gmail”.

Em janeiro de 2010, a companhia anunciou que suas operações haviam sido alvo de ataques que tinham o fim de acessar as contas de dissidentes chineses, além de roubar da empresa códigos e segredos industriais.

Esta denúncia demandou uma intervenção do governo dos EUA e levou a Google a fechar temporariamente seu site de buscas na China, embora posteriormente as tensões tenham sido suavizadas e Pequim acabou renovando a licença do gigante da web. 

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