As ações dos gigantes do setor de tecnologia desabaram nesta sexta-feira (6) nas Bolsas asiáticas, como aconteceu na quinta-feira em Wall Street, diante da perspectiva de uma regulamentação mais rígida da inteligência artificial (IA) com a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.
As mais afetadas foram as empresas de semicondutores e microchips, indispensáveis para os centros de dados onde os modelos de IA são treinados e desenvolvidos.
Na Coreia do Sul, a ação da Samsung Electronics caiu quase 10% nesta sexta-feira, enquanto a SK hynix recuou mais de 11%. O principal índice seletivo da Bolsa de Seul, o Kospi, fechou em baixa de 6%.
O mesmo panorama foi registrado no Japão, onde a ação da Tokyo Electron caiu quase 9% e a da Kioxia, 13%.
Na quinta-feira, em Nova York, o índice Nasdaq, que reúne os valores de tecnologia, fechou em baixa 5,52%, a maior queda desde abril de 2025, quando o presidente Donald Trump impôs tarifas ao planeta inteiro.
“O que estamos vendo hoje é uma queda total dos valores de tecnologia, em um nível que poderíamos qualificar de capitulação”, resume Neil Wilson, analista da Saxo Markets.
O mercado interpreta a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos como um freio iminente ao desenvolvimento da IA.
Muitos democratas eleitos nas votações de terça-feira fizeram campanha para desacelerar a construção de centros de dados em suas regiões.
Moradores de dezenas de cidades dos Estados Unidos também aprovaram restrições ou proibições relativas aos centros de dados. A mudança é especialmente preocupante, em particular porque os grandes investimentos das gigantes de tecnologia em IA e em centros de dados foram, nos últimos meses, um dos principais vetores de crescimento tanto da Bolsa quanto do PIB americano.
“Oposição reforçada”
Os operadores apontam que o apelo do senador de esquerda Bernie Sanders para instaurar uma moratória sobre a construção de centros de dados também contribuiu para o pânico.
Segundo o Wall Street Journal, a mudança pode afetar os planos de abertura de capital da Anthropic, uma das principais empresas de IA.
A empresa do CEO Dario Amodei planejava estrear na Bolsa na semana de 16 de novembro, mas poderia ser avaliada em menos de 1,5 trilhão de dólares, sua meta no momento, ou até mesmo adiar a oferta pública inicial.
Michael Hewson, analista da MCH Market Insights, aponta o temor dos investidores com “uma oposição reforçada aos planos de desenvolvimento da IA. Os resultados no Texas provocam o medo de que os líderes políticos do estado coloquem no alvo a Tesla e a SpaceX, de Elon Musk, por seu apoio a Trump”.
Na véspera, em Nova York, a Broadcom caiu 10,15% e a Micron, 17,17%.
A Nvidia, que tem a segunda maior avaliação de mercado do mundo na Bolsa, despencou 8,91%, o que representa uma perda de quase 400 bilhões de dólares.
Na quinta-feira, as chamadas ‘Sete Magníficas’ – o apelido dado aos grandes nomes da tecnologia americana, Apple, Amazon, Nvidia, Meta, Alphabet, Microsoft e Tesla – perderam, em uma única sessão, 800 bilhões de dólares, o equivalente ao PIB da Suécia.
Na Europa, Infineon perdeu 8,63% em Frankfurt, a ASML recuou 6,55% em Amsterdã e a STMicroelectronics registrou queda de 9,33% em Paris.
“Há sangue nas ruas, amigos”, disse Neil Wilson, da Saxo Markets.
Por sua vez, Donald Trump culpou os democratas pela onda de pânico nas Bolsas. “É triste de ver, mas só poderão culpar a si mesmos”, afirmou em uma mensagem direcionada a seus rivais na plataforma Truth Social.
AFP