Menu
Mundo

A última viagem de três barcos vikings na Noruega

Oseberg, Gokstad e Tune são transferidos com extrema precisão para uma nova ala do Museu da Era Viking em Oslo, garantindo sua preservação por mais de cem anos

Redação Jornal de Brasília

10/09/2025 16h38

Foto: AFP

Foto: AFP

Com mais de mil anos de antiguidade, três barcos vikings superaram as provas do tempo e iniciaram o que deve ser sua última viagem, uma transferência de alto risco para seu destino final na Noruega.

O primeiro dos três a dar o grande salto foi o Oseberg, que chegou, sem problemas, nesta quarta-feira (10) a uma ampliação do Museu da Era Viking em uma península de Oslo, recentemente construída para abrigar este tesouro nacional em condições ideais.

Tão antigo quanto frágil, o casco de carvalho — envolto em uma pesada proteção metálica — percorreu um trajeto suspenso por um guindaste que se move sobre um trilho fixado ao teto.

“É como se navegasse pelo ar”, afirmou a diretora do museu, Aud Tønnessen. “Há algo profundamente comovente em pensar que esses barcos, com sua longa história e todas as travessias realizadas, vão realizar sua última viagem”, disse.

Batizados com o nome do lugar onde foram descobertos, o Oseberg, o Gokstad e o Tune eram preservados em um edifício de 1926, pequeno demais e inadequado para a conservação de embarcações construídas entre os anos 840 e 910.

“Eles estavam expostos à umidade, às vibrações… Com o tempo, a pressão tornou-se tão forte que começaram a mostrar sinais de que acabariam afundando sobre seus suportes”, explica Tønnessen.

Consequentemente, decidiu-se transferi-los para outro lugar: um edifício climatizado, construído especialmente como extensão do antigo museu, que deve permitir conservá-los em bom estado durante cerca de cem anos.

No entanto, a transferência em si é perigosa.

“Devemos realizar esta operação sem danificar ainda mais os barcos, mas sabemos que cada manipulação é prejudicial para eles”, destaca o conservador David Hauer, que trabalha há anos no projeto.

“São cascos clinker [cujas tábuas se sobrepõem parcialmente] de 1200 anos de antiguidade. Com a menor deformação, racham entre os rebites e a madeira se fragmenta”, relata.

– Precisão muito alta –

Tomaram-se infinitas precauções para evitar danos e, em particular, vibrações durante o transporte, previsto a um ritmo de 5,5 minutos por metro percorrido.

Inclusive, recorreu-se a um grupo de serviços da indústria petrolífera com grande experiência em trabalhos de alta precisão, como a instalação — com precisão milimétrica — de enormes estruturas a 300 metros abaixo do mar.

“Mas aqui ainda se trata de outro nível”, afirma Hauer.

“O grau de precisão exigido, por exemplo em matéria de vibrações, é o mesmo que para os microscópios eletrônicos [que exigem uma estabilidade extrema] nos hospitais. Com a diferença de que, neste caso, é necessário levantar o microscópio eletrônico, movê-lo e recolocá-lo para que possa voltar a ser usado”, detalha.

Se tudo ocorrer como esperado, o Gokstad deve chegar ao novo local no outono norueguês, e o Tune em meados de 2026.

Encontrados em túmulos funerários em diferentes locais ao sudoeste e sudeste de Oslo, os três barcos vikings têm cada um suas próprias particularidades.

O Oseberg, decorado sem economias, com esculturas bem elaboradas, é considerado o barco viking mais bem conservado do mundo.

Enquanto o Gokstad, com 23 metros de comprimento e 5 metros de largura, é o maior dos três, com capacidade para 32 remadores, e o Tune, o mais deteriorado, acredita-se que era um barco de guerra especialmente rápido.

Contrariamente à crença popular, nenhum deles é um “drakkar” [navio de guerra], um termo rejeitado por historiadores, que sustentam que a palavra foi inventada na França em meados do século XIX, sem nenhuma legitimidade histórica.

© Agence France-Presse

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado