O organismo encarregado de investigar as denúncias de fraude nas eleições presidenciais de 20 de agosto no Afeganistão invalidou hoje a maioria das cédulas depositadas em 83 colégios de três províncias do sul e do leste afegão.
Os colégios afetados pertencem às regiões de Kandahar (51), Ghazni (27) e Paktika (5), onde predomina a etnia pashtun, a mesma do atual presidente afegão, Hamid Karzai.
A Comissão de Queixas invalidou todos os votos para a eleição presidencial nestes colégios de Kandahar e Paktika – exceto em quatro, onde foram eliminados apenas os emitidos por mulheres -, enquanto alguns de Ghazni correspondiam ao pleito provincial ou também às presidenciais.
Este órgão independente, no qual há membros da ONU, disse ter encontrado “claras e convincentes provas de fraude” nestes colégios, que indicam que os votos não foram “legalmente” emitidos ou contados.
Karzai lidera a apuração parcial tanto em Kandahar quanto em Paktika, enquanto, em Ghazni, está sendo superado pelo candidato hazara Ramazan Bashardost.
Em sua mais recente apuração parcial, oferecida há dois dias e referente a 91,6% dos centros de votação, a Comissão Eleitoral deu a Karzai 54,1% dos votos, acima da barreira dos 50% necessários para se proclamar vencedor e evitar um segundo turno.
No entanto, horas antes da divulgação deste novo resultado parcial, a Comissão de Queixas já tinha exigido à Comissão Eleitoral uma nova apuração nos colégios onde houvesse mais de 600 cédulas emitidas, algo que representa uma participação muito acima da prevista, e nos quais um mesmo candidato tenha 95% ou mais de apoio.
Este órgão independente disse, então, ter encontrado provas de fraude em colégios eleitorais das províncias onde hoje os votos foram invalidados.