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Economia

WRI Brasil propõe integração de dados para rastrear soja e carne

Estudo analisa 21 iniciativas e defende mais articulação entre bases de dados e instrumentos de controle para ampliar a rastreabilidade socioambiental no campo.

Redação Jornal de Brasília

28/07/2026 15h57

Colheita de soja. Foto: Agência Brasil

O Brasil já tem capacidade avançada de monitorar as cadeias produtivas da soja e da carne bovina, mas precisa avançar na integração dos instrumentos disponíveis. Essa é uma das conclusões de pesquisadores que analisaram 21 iniciativas de monitoramento e rastreabilidade socioambiental de dois dos principais produtos da agropecuária nacional.

O resultado foi o estudo “Rastreando a Responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil”, lançado nesta terça-feira (28) pela organização ambiental WRI Brasil. O objetivo é compreender a atual capacidade do país em acompanhar as exigências do mercado internacional.

Das 21 iniciativas estudadas, dez são voltadas à cadeia produtiva da soja e 11 à produção de carne bovina. Os instrumentos buscam apoiar o monitoramento e a verificação dos processos de produção nos biomas Amazônia e Cerrado.

A partir da análise e comparação entre as iniciativas, o estudo apontou dez recomendações para aprimorar os atuais mecanismos de controle e orientar políticas públicas. Entre elas estão a adoção da propriedade rural como unidade de monitoramento, o uso de fontes oficiais com dados governamentais e cientificamente validados, a verificação da conformidade com o Código Florestal Brasileiro e a ausência de violações relacionadas ao trabalho forçado.

O relatório também defende auditorias independentes de terceiros, publicação de relatórios de transparência, ampliação do monitoramento para todos os biomas, verificação de desmatamento ilegal conforme o marco temporal de 2008, desmatamento zero após agosto de 2020 e mecanismos para acompanhar toda a cadeia de suprimentos, incluindo fornecedores indiretos.

Outras recomendações incluem o desenvolvimento de sistemas para reintegração de fornecedores em situação de não conformidade após ações corretivas e a criação de uma supervisão participativa e multissetorial para gestão e aprimoramento dos sistemas.

A diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra no WRI Brasil, Mariana Oliveira, avalia que o avanço da rastreabilidade pode influenciar um modelo de desenvolvimento territorial mais sustentável no campo. Segundo ela, a integração das bases de dados e a harmonização dos critérios técnicos também podem facilitar a avaliação de riscos socioambientais por países compradores e por instituições financeiras e investidores.

O estudo cita a China como exemplo de ator que pode se beneficiar de um protocolo estabelecido para a rastreabilidade desses bens. O país importou do Brasil US$ 44,6 bilhões em soja e carne bovina em 2024, segundo o relatório.

Para os pesquisadores, o fortalecimento desses sistemas vai além do atendimento às demandas de mercado e pode contribuir para um modelo de desenvolvimento que gere benefícios socioeconômicos, oportunidades, empregos, renda e qualidade de vida no campo.

*Com informações da Agência Brasil

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