A Votorantim Cimentos conseguiu um acordo para, por meio de uma “operação de permuta de ações”, receberá 17,28% do capital da portuguesa Cimpor, segundo informou hoje a companhia em comunicado.
O grupo Votorantim vai assumir a participação que até agora possui na Cimpor a cimenteira francesa Lafarge, embora o comunicado publicado na imprensa não tenha detalhado sobre como será a troca de papéis.
Votorantim considera que o movimento, do qual participam também às brasileiras Camargo Corrêa e CSN na disputa para ter ações da Cimpor, serve para “acelerar o processo de internacionalização iniciado em 2001”.
A operação é feita pública apenas um dia depois da Cimpor entregar à Comissão da Bolsa de Valores Mobiliários (CNVM) de Portugal um relatório justificando sua rejeição à oferta da Companhia Siderúrgica Nacional do Brasil (CSN).
O conselho de administração de Cimpor pedia aos acionistas rejeitar a oferta pública “hostil” da CSN, que ofereceu um “preço de saldo” o que foi interpretado como “irrelevante e perturbadora da atividade da empresa”.
Apesar de a construtora Camargo Corrêa também querer comprar um pacote de Cimpor, a direção da companhia portuguesa já havia manifestado a preferência pela proposta da Votorantim.
Segundo a imprensa brasileira, tanto Camargo Correa quanto a CSN reagiram afirmando que continuam interessadas em fazer parte do conjunto de acionistas da Cimpor.
Cimpor obteve um lucro de 219 milhões de euros (US$ 313 milhões) em seu último ano anual divulgado (2008) e opera em 13 países da Europa, Ásia, América do Sul e África.
Após a operação, os principais acionistas da Cimpor são a construtora lusa Teixeira Duarte (22,9%), o empresário português Manuel Fino (10,7%), o Banco Comercial Português (BCP, com a participação do Sabadell da Espanha), com 10%, a Caixa Geral de Depósitos (CDG), com 9,6%, Bipadosa (6,5%) e Cinveste (4,1%).