FOLHAPRESS
A Polícia Federal identificou um roteiro sofisticado de fraude financeira, baseado no uso combinado de crédito bancário, fundos de investimento e operações com ativos de baixa ou zero liquidez para inflar o patrimônio do Banco Master, disfarçar a origem do dinheiro e pulverizar recursos até chegar a laranjas.
O esquema começaria com empréstimos feitos pelo Master a empresas. Essas companhias aplicavam em fundos da Reag, instituição financeira que tinha até recentemente como presidente e sócio-fundador João Carlos Mansur, um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero e que teve a liquidação decretada pelo Banco Central.
A Reag também é suspeita de elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Na ocasião, a Reag negou conexão com o grupo do crime organizado.
O BC (Banco Central) identificou uma lista de seis fundos da Reag que teriam atuado no esquema, como revelou a a Folha. A suspeita é que os fundos tinham como donos indivíduos que operavam como laranjas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
A defesa de Mansur disse que não teve acesso a investigação, mas que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
ENTENDA O CAMINHO DO DINHEIRO
1º EMPRÉSTIMO
O Master concedia empréstimos a empresas formalmente independentes do banco. No papel, os tomadores não tinham vínculo direto com a instituição financeira, mas, segundo os investigadores, seus controladores faziam parte do mesmo esquema de fraudes.
2º DINHEIRO DIRECIONADO A FUNDOS
Após receber o crédito, a empresa tomadora aplicava os recursos em fundos de investimento administrados pela Reag. Essa etapa era central para deslocar o dinheiro do balanço do banco para o mercado de capitais.
3º CONFORMIDADE APARENTE AO REGULADOR
Nos sistemas monitorados pelo Banco Central, o empréstimo aparecia como uma operação regular, em conformidade com as normas. Isso dificultava a identificação imediata de irregularidades na concessão do crédito.
4º COMPRA DE ATIVOS SEM LIQUIDEZ
O gestor do fundo que recebia os recursos provenientes do empréstimo comprava ativos com baixa liquidez e valor econômico reduzido. Essas aquisições eram feitas por preços muito acima do valor real, o que inflava artificialmente o patrimônio do fundo.
5º LUCRO PARA QUEM VENDIA O ATIVO
Investigadores, essa era uma forma rápida e eficiente de movimentar grandes volumes de dinheiro.
6º PULVERIZAÇÃO DOS RECURSOS ENTRE FUNDOS
Em seguida, o vendedor utilizava o dinheiro recebido para investir em outros fundos. Assim, os valores passavam por sucessivas camadas de fundos de investimento, com o objetivo de dificultar o rastreamento do destino final dos recursos.
De acordo com a investigação, o dinheiro acabava chegando a laranjas ligados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Para os investigadores, a complexidade do caminho financeiro não tinha finalidade econômica legítima, mas servia para ocultar a origem e o beneficiário final dos recursos.