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Economia

Tesouro recompra R$ 7,1 bilhões em títulos prefixados em meio à disparada das taxas

Tesouro recomprou do mercado 5 milhões de NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional, Série F) com prazo de cinco anos, 2,4 milhões com prazo de sete anos e 1 milhão com prazo de dez anos

Redação Jornal de Brasília

26/10/2026 17h23

economia do brasil

Foto: Freepik

JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS

Em meio à forte pressão sobre os ativos brasileiros nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Tesouro Nacional realizou, no fim da manhã, um leilão de recompra de títulos prefixados, aplicações de renda fixa cuja taxa de juros é definida no momento da compra.

O Tesouro recomprou do mercado 5 milhões de NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional, Série F) com prazo de cinco anos, 2,4 milhões com prazo de sete anos e 1 milhão com prazo de dez anos. O volume total da operação ficou próximo de R$ 7,1 bilhões.

A vitória de Lula na disputa pelo Planalto provocou uma forte alta das taxas dos títulos públicos e dos contratos de DI (Depósito Interfinanceiro), utilizados como referência para os juros futuros. Ao recomprar títulos em circulação, o Tesouro busca reduzir a pressão vendedora e conter movimentos bruscos nas taxas.

Mais cedo, o Tesouro havia anunciado também o cancelamento dos leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para terça-feira (27) e quinta-feira (29).

Segundo Eduardo Marocke, head de renda fixa da Faz Capital, a volatilidade provocada pelo resultado eleitoral atingiu também o mercado de renda fixa, levando a interrupções nas negociações do Tesouro Direto.

“Quando as taxas mudam muito rápido, o preço fica velho, ele perece muito rápido. Então, o Tesouro pausa as negociações de prefixados e IPCA+, para o investidor não comprar algo que não existe mais, basicamente”, afirma.

O especialista compara essas suspensões ao circuit breaker da Bolsa, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas.

Já a recompra de títulos funciona de maneira diferente. Segundo Marocke, o Tesouro entra no mercado como comprador, oferecendo uma alternativa aos investidores institucionais que querem vender seus papéis. Com isso, busca reduzir a pressão de venda e evitar uma disparada ainda maior das taxas de juros.

Ele explica que a medida também busca preservar o funcionamento do mercado de títulos públicos, cujas taxas servem de referência para outras operações financeiras, como empréstimos bancários, crédito privado e financiamento de empresas.

“Quando todo mundo quer vender ao mesmo tempo e falta comprador, a taxa sobe além do que os fundamentos justificam por falta de liquidez”, afirma.

Segundo Marocke, o objetivo é reduzir os efeitos da volatilidade excessiva para que os preços voltem a refletir as condições do mercado.

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