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Economia

Taxa básica de juros continua uma incógnica para a população

Arquivo Geral

05/12/2007 0h00

As decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a taxa básica de juros passam longe das conversas diárias de pessoas como o garçom Manoel Torquato, online que não costuma avaliar as variações da Selic para fechar as contas no fim do mês ou tomar decisões.

“Selic? Taxa básica de juros? Não sei o que é isso”, information pills diz Torquato, approved estranhando a indagação. “É lógico que não sei se tem alguma influência na minha vida. Imagino que não, nunca ninguém me cobrou.”

A enfermeira Maria Claudina Soares da Costa, entretanto, arrisca um palpite: “É uma taxa muito importante. A mídia está falando disso a toda hora.”

A posição de Manoel e Maria Claudina reflete o pensamento comum na grande maioria da população brasileira, mas esse tema, que passa ao largo de seu dia-a-dia, tem efeitos diretos e indiretos na sua vida.

“A Selic serve de base para a composição das demais taxas”, explica o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. “Toda vez que o juro cai, há possibilidade de redução de juros para o consumidor”, sintetizou Oliveira.

O professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Piscitelli define a Selic “como o ponto de partida, o piso das taxas de juros”, que “puxa as demais taxas”. Ele lembra que a Selic é praticada nas operações entre bancos e também serve de referência para os empréstimos que o governo toma, por meio do lançamento de seus títulos.

Quando o governo reduz a taxa básica, espera-se que os bancos também reduzam as suas. No entanto, ressalta Piscitelli, o efeito da redução ou do aumento da Selic não é imediato para o consumidor. “Esse movimento não se dá com a mesma velocidade e intensidade. Pode levar meses.”

Além disso, o processo de redução no mercado é mais lento. Pelas estimativas de Oliveira, para cada redução de 0,25 ponto percentual na Selic, há uma redução de 0,02 ponto percentual ao mês nas taxas ao consumidor.

Ao falar sobre os efeitos indiretos das variações da taxa de juros na vida do cidadão, Oliveira explica o que ocorre no mercado de trabalho: “Quando você reduz a Selic, os juros reais [descontando a inflação] baixam, e isso possibilita a manutenção de um quadro econômico bom. As empresas não encontram dificuldade para pedir empréstimos, porque as taxas são baixas, e podem investir. Isso significa geração de emprego.”

Outro aspecto é que a redução da taxa básica torna menos atrativos os títulos públicos, forçando os bancos a abrirem o mercado de crédito. Os bancos deixam de comprar títulos e passam a liberar mais dinheiro para empréstimos, reduzindo suas taxas. Se a taxa é alta, o retorno que o governo paga para o banco, quando o título vence, é mais vantajoso do que emprestar ao consumidor.

Por isso, lembra Piscitelli, uma terceira vantagem indireta para o consumidor é que o governo paga menos juros, podendo investir o dinheiro que pagaria nos juros da dívida, por exemplo. “Se o governo despende uma parcela considerável desses recursos para o pagamento de juros, faltam recursos para outras prioridades, como, por exemplo, programas sociais, investimentos, infra-estrutura”, comenta o professor.

Tanto Oliveira quanto Piscitelli acreditam que, mesmo com parada na trajetória de redução da Selic, a partir de outubro, há espaço para as instituições financeiras reduzirem os juros cobrados dos consumidores. Isso porque o spread (diferença cobrada pelos bancos entre a captação e a concessão do empréstimo) pode ser reduzido. “O spread no Brasil está entre os mais elevados do mundo. Isso acontece porque são poucas instituições, e muito poderosas, que têm condições de formar preço”, acrescenta Piscitelli.

Estudos da Anefac mostram que atualmente, enquanto a Selic está em 11,25% ao ano, as taxas da pessoa física atingem 130,58% ao ano. Isso significa uma variação de mais de 1.000% entre a Selic e as taxas do mercado. “Em algumas instituições financeiras, em linhas de empréstimo pessoal, essas taxas chegam a atingir mais de 1.500% ao ano”, informa Oliveira.

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