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Economia

Tarifaço: Brasil prepara negociação com Estados Unidos

Governo prevê diálogo difícil para discutir possíveis exceções às sobretaxas americanas.

Redação Jornal de Brasília

27/08/2026 19h50

pres lula encontro com trump casa branca

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Brasil e Estados Unidos marcaram reunião virtual para a próxima segunda-feira (31 de agosto), às 14h30, no horário de Brasília, para retomar negociações sobre as tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros. O encontro ocorre após telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump realizado na última sexta-feira (21).

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, representará o Brasil na reunião com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. Segundo Elias Rosa, será o primeiro contato entre representantes dos dois governos desde o anúncio das tarifas em julho.

A conversa entre Lula e Trump durou cerca de uma hora e 20 minutos. Segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial e teve as tarifas entre os principais assuntos abordados. Lula argumentou que as medidas prejudicam as economias dos dois países e defendeu a retomada das negociações, enquanto Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou que as equipes técnicas deveriam dialogar rapidamente.

Após a ligação presidencial, Greer procurou Elias Rosa para reabrir o canal de negociação. A data da reunião foi definida por mensagens entre os representantes dos dois governos.

Os Estados Unidos aplicaram neste ano duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A primeira, de 25%, foi imposta em julho após investigação apontando práticas consideradas prejudiciais ao comércio bilateral. Entre os argumentos estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado. Uma segunda tarifa de 12,5% foi aplicada em seguida, resultando em alíquotas totais de até 37,5% para alguns produtos.

As novas tarifas atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras ao mercado norte-americano, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Aproximadamente 8,6 mil empresas estão sujeitas às medidas, enquanto 52,7% da pauta brasileira de exportações para os Estados Unidos não enfrenta imposição de sobretaxa.

A estratégia inicial do Brasil será ampliar a lista de produtos isentos das tarifas. Em etapa posterior, o governo pretende negociar a reversão das medidas. Márcio Elias Rosa afirmou que prevê um “diálogo difícil” e que está disposto a colocar diferentes assuntos sobre a mesa, incluindo etanol, açúcar, produtos químicos, autopeças, defensivos e fertilizantes.

O Brasil contesta as justificativas apresentadas por Washington, argumentando que os fundamentos das tarifas não são suficientes para justificar a punição comercial. O governo já apresentou pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial de Comércio (OMC), argumentando que as tarifas são “inconsistentes” com as regras definidas pela entidade. Os Estados Unidos aceitaram o pedido para participar das consultas.

Desde o início das taxações, o Brasil reforça que na relação comercial entre os dois países os Estados Unidos são superavitários, vendendo mais do que compram. Além disso, o governo conseguiu prorrogar por até um ano a suspensão de tributos para empresas que operam em regime de drawback, para dar mais tempo às companhias se adaptarem às novas condições de acesso ao mercado americano.

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