O Brasil acumulou nos primeiros oito meses do ano um superávit fiscal primário de R$ 43,477 bilhões, o menor valor para o período nos últimos sete anos, informou hoje o Banco Central (BC).
O valor acumulado até agosto e que o Governo destina a garantir o pagamento de seus juros da dívida é 57,5% inferior ao do mesmo período do ano passado e não era tão baixo desde o registrado nos primeiros oito meses de 2002 (R$ 36,915 bilhões).
O superávit fiscal primário é a diferença entre as receitas e as despesas do setor público brasileiro e inclui o Governo federal, as administrações estaduais e municipais e as empresas estatais, mas não leva em conta os recursos destinados ao pagamento de juros da dívida.
A queda do superávit fiscal este ano foi atribuída tanto à crise mundial, que reduziu a atividade econômica e a consequente arrecadação de impostos, como ao aumento das despesas do Governo para fazer frente à conjuntura negativa.
Além da redução dos impostos sobre diferentes setores afetados pela crise, o Governo federal aumentou os recursos destinados a obras públicas, embora também tenha aumentado significativamente as despesas com a manutenção de funcionários públicos em seus empregos.
Apesar do resultado inferior ao esperado, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, assegurou que o Governo se esforçará para cumprir sua meta de terminar o ano com um superávit primário fiscal equivalente a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Até dois anos atrás, a meta do Governo era conseguir um superávit equivalente a 4,5% do PIB, mas este ano, como consequência da crise, esse índice foi reduzido para 2,5%.
O superávit acumulado até agora em 2009 corresponde a 2,21% do PIB no período, motivo pelo qual o Governo corre o risco de não alcançar seu objetivo.
Até agosto, o Brasil destinou R$ 108,31 bilhões para pagar juros da dívida. O déficit nominal do setor público nos oito primeiros meses do ano chegou a R$ 64,833 bilhões.
O BC também informou que a dívida líquida do setor público brasileiro somou em agosto R$ 1,29 trilhão, o que equivale a 44% do PIB.
A dívida, que em agosto do ano passado era equivalente a 38,8% do PIB, cresceu nos últimos meses por causa da crise, mas a expectativa do Governo é que equivalha a 43,3% do PIB no final do ano.