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Economia

Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE

Larissa Mies Bombardi afirmou que o país aceita o uso de substâncias vetadas na Europa e exportadas para o mercado brasileiro

Redação Jornal de Brasília

01/08/2026 11h46

uniao-europeia

Foto: Reprodução

Dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, sete são proibidos na União Europeia, segundo a geógrafa Larissa Mies Bombardi. A pesquisadora afirmou que essa dinâmica expõe o que chama de “colonialismo químico”, ao denunciar que empresas europeias exportam ao país substâncias vetadas em seu próprio mercado.

As declarações foram feitas nesta sexta-feira (31), durante conferência na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Bombardi, que estuda o uso de agrotóxicos e suas conexões com a economia global há cerca de 15 anos, disse que esses produtos têm impactos nocivos sobre o ambiente e sobre a saúde humana e animal.

Entre os dez agrotóxicos mais utilizados no Brasil em 2023, segundo os dados citados por ela, estão glifosato e seus sais, mancozebe, 2,4-D, acefato, clorotalonil, atrazina, s-metolacloro, glufosinato, malationa e dibrometo de diquate. Bombardi afirmou que mancozebe, 2,4-D, acefato, clorotalonil, atrazina, s-metolacloro e dibrometo de diquate são proibidos na União Europeia.

Ao tratar dos impactos ambientais, a geógrafa citou dados do Atlas dos Pesticidas 2022, da Heinrich-Böll-Stiftung, segundo os quais houve queda de 41% no número de insetos no mundo entre 2009 e 2019, e de 53% no caso das borboletas. Ela também mencionou a atrazina, sexto agrotóxico mais vendido no Brasil, como exemplo de substância que pode causar anomalias em anfíbios, incluindo mudança de sexo em sapos.

Bombardi afirmou ainda que o Brasil é o principal destino da exportação de pesticidas proibidos na União Europeia, com 3 mil toneladas em 2023, acima da soma dos três países seguintes na lista apresentada por ela: Ucrânia, Estados Unidos e Rússia, que juntos somaram 2,6 mil toneladas. Segundo a pesquisadora, o mercado de sementes resistentes a pragas e de agrotóxicos é dominado por quatro empresas — Basf, Bayer, Corteva e Sinochem — que, juntas, detêm 51% do mercado de sementes e 62% do de agrotóxicos.

A geógrafa relacionou o tema à estrutura fundiária brasileira e disse que grandes proprietários concentram a maior parte da terra no país. Ela afirmou que vive na Bélgica desde 2021, onde é pesquisadora do Laboratório de Agroecologia da Universidade Livre de Bruxelas, e que deixou o Brasil após se sentir insegura diante de ameaças recebidas depois da publicação de um atlas, em 2019, sobre resíduos de agrotóxicos em alimentos brasileiros.

No campo regulatório, a reportagem lembra que passou a valer em 2023 a Lei 14.785, conhecida como Lei dos Agrotóxicos, que estabelece critérios para o uso desses produtos. Pela legislação, os registros são feitos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com avaliação toxicológica da Anvisa e análise ambiental do Ibama. A Anvisa informou que cada país tem seu próprio regramento para concessão e manutenção de registros e que, no Brasil, a reavaliação de produtos pode levar à manutenção, à imposição de restrições ou ao banimento.

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