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Economia

Senadores cobram CVM por omissão em fraude do Banco Master

Comissão parlamentar questiona presidente interino da autarquia sobre fiscalização do banco acusado de irregularidades bilionárias.

Redação Jornal de Brasília

24/02/2026 13h31

Foto: Divulgação/ Banco Master

A Comissão do Banco Master do Senado Federal cobrou, nessa terça-feira (24), o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Carlos Accioly, por suposta omissão na fiscalização do Banco Master, acusado de fraude bilionária no mercado de capitais.

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), criticou a falta de transparência da CVM, comparando o caso ao escândalo das Lojas Americanas e destacando os prejuízos a milhões de investidores, incluindo fundos de previdência. “A CVM não é réu primário no caso da transparência. Estamos falando de milhares, eu diria, de milhões de brasileiros que estão sendo prejudicados porque o dinheiro do seu fundo de previdência evaporou-se de forma criminosa. E não dá pra dizer que a CVM não foi omissa”, afirmou Braga. Ele sugeriu que a omissão pode ir além, possivelmente envolvendo conflito de interesses, ao mencionar que o banco usou recursos de clientes para tapar buracos no orçamento.

Em defesa da instituição, Accioly, que assumiu o cargo em maio de 2022, argumentou que houve omissão na divulgação das ações tomadas pela CVM para inibir fraudes. Ele destacou que a autarquia detectou indícios de aporte de quase R$ 500 milhões em clínicas de laranjas e comunicou o fato ao Ministério Público Federal (MPF) em junho de 2025, contribuindo para a operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF). “A Compliance Zero é feita depois que a CVM comunica ao MPF”, explicou.

O presidente interino citou ainda que a CVM abriu 200 processos administrativos, incluindo 24 relacionados à tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). “Tem vários exemplos de atuações que a CVM fez”, enfatizou Accioly, reconhecendo que fraudadores exploram brechas institucionais e que melhorias são necessárias. Ele atribuiu a responsabilidade pelos crimes aos fraudadores, e não às instituições fiscalizadoras.

A senadora Leila Barros (PDT-DF) questionou onde estaria a falha no sistema de proteção, uma vez que a fraude ocorreu apesar das identificações e comunicações da CVM. “Estavam ocorrendo os processos, aconteceu a investigação, mas aconteceu a situação, a fraude, os rombos. Onde que houve o erro?”, indagou.

Accioly respondeu que é prematuro identificar todas as falhas e informou a criação de um grupo de trabalho (GT) na CVM para analisar o que funcionou e o que não funcionou, visando aprimoramentos. “No relatório [do GT], vai ter uma visão introspectiva para aprender o que funcionou bem e o que não funcionou bem para aprimorar. Pode ter havido erro”, admitiu.

A CVM é uma autarquia federal ligada ao Ministério da Fazenda, responsável por regular e fiscalizar os mercados de bolsa e capitais, além de proteger investidores contra atos ilegais. A instituição possui independência administrativa e orçamentária, com dirigentes nomeados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado, em mandatos de cinco anos sem recondução. Atualmente, o colegiado tem três vagas de diretores, duas delas com indicados aguardando sabatina.

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