O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, declarou hoje que não há garantias de que a recuperação econômica gere novos postos de trabalho, principalmente na Europa.
“A recuperação ainda é frágil”, destacou o diretor do FMI durante uma reunião com um grupo de jornalistas para falar sobre a economia do planeta às vésperas da assembleia anual do organismo.
Ele acrescentou que a grande dúvida agora é se o crescimento é suficientemente alto para gerar novos empregos.
“Ainda há o risco de termos uma recuperação econômica sem a geração de empregos”, afirmou Strauss-Khan, que ressaltou que a recuperação não está “totalmente garantida”.
Ele mencionou que a principal fonte de preocupação do organismo é a situação econômica na Europa.
“Está claro que a recuperação na Europa não é suficientemente forte”, ressaltou Strauss-Kahn, para quem o crescimento global ainda é “desigual e frágil”.
Em seu pronunciamento à imprensa, ele se referiu às recentes intervenções de alguns países, como o Japão, em suas taxas de câmbio e qualificou a situação de preocupante.
“Existe uma preocupação crescente nos últimos dias em relação a este tema”, destacou o responsável pelo FMI, que, no entanto, disse que “não há um grande risco de uma guerra de divisas”.
Após a intervenção de Tóquio no mercado, o ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou que o mundo está imerso em uma guerra comercial e de taxas de câmbio, e que os países tentam obter vantagens mediante a manipulação de suas moedas.
Strauss-Khan destacou hoje que o FMI e o Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) mantêm um ativo debate para impedir uma guerra global de depreciações competitivas das moedas.
“A história demonstrou que o resultado deste tipo de intervenção não dura muito”, disse Strauss-Khan, quem ressaltou que são os mercados que devem fixar o valor das moedas.