João Paulo Mariano
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Nem todo mundo que comprou um imóvel no ano passado lucrou com esse negócio. Tem gente que se decidisse – ou precisasse – vender o empreendimento seria forçado a colocar preço menor do que pagou por ele. Isso está comprovado. Na comparação dos dados do índice FipeZap de setembro de 2017 com o mesmo mês de 2018, a média do m² para compra e venda no Distrito Federal diminuiu 1.35%. Foi de R$ 7.894 para R$ 7.787. E essa é a média. A perda poderia ser maior.
O índice FipeZap faz um acompanhamento da evolução dos preços do mercado imobiliário brasileiro. No DF, houve comparação entre os meses de setembro de 2017 e de 2018 em sete cidades: Noroeste, Sudoeste-Octogonal, Asa Sul, Asa Norte, Guará II, Lago Norte e Águas Claras. Dessas, houve aumento do valor do m² para compra e venda no Noroeste, Lago Norte e Águas Claras. Já no bloco Sudoeste/Octogonal, Asa Sul, Asa Norte e Guará II ocorreu uma diminuição.
Nos dois períodos analisados, o Noroeste tem o m² mais caro e a maior valorização do preço: R$ 10.548 e 8.74%, respectivamente. Como a região surgiu supervalorizada e sofreu um baque já no início da crise, o dado sugere uma leve recuperação.
Também tiveram aumento do preço do m² Águas Claras (1,65%) e Lago Norte (0,57%). Os valores do metro quadrado para a compra ficaram em R$ 5.294 para o primeiro caso e R$ 8.110 para o segundo. Esses números constituem mais uma prova que, ao comprar um imóvel, uma série de fatores deve ser levada em conta, inclusive o retorno potencial. Se a valorização imobiliária não for boa, pode não compensar o valor pago, em especial quando se recorre a um financiamento a que se precisa somar os juros.
Quem perde
Os que resolveram investir nas outras áreas podem perder dinheiro se quiserem vender o imóvel. A maior queda foi no Guará II: o m² foi de R$ 8.098, em setembro de 2016, para R$ 6.892, setembro deste ano. Uma diminuição de 14.89%.
Nem áreas nobres escaparam da queda dos preços. Na Asa Sul, a diminuição foi de -3.99%. Na Asa Norte, foi de – 0.39% e no Sudoeste/Octogonal foi de -0.21%.
Os brasilienses estão apostando em locais próximos ao centro da Capital e com mais possibilidade de crescimento no futuro. Esta é a explicação que o diretor comercial da imobiliária Bendix, Douglas Balzani, dá para que o Noroeste volte a despontar como região de imóveis mais valorizados.
“O Noroeste é um bairro recente, com prédios muito novos. Além disso, apresenta grande proximidade do centro e tem possibilidade de se desenvolver”, afirma.
Uma nova fase da vida e, também, investimento
A empresária Maria Elvira Jardim, 57, está a poucas semanas de começar uma nova fase da vida ´e será no Noroeste, a cidade que escolheu para viver os próximos anos. A escolha da região não se deve somente às possibilidades de expansão do setor e sua valorização, mas também por sua filha mais velha já morar por lá.
Assim, ela comprou uma cobertura de 320m², por R$ 2,5 milhões, que não foi escolhida por acaso: a filha vive no prédio em frente. O dinheiro veio da venda de uma casa no Lago Norte.
A empresária já estava de olho na área há muito tempo. Em 2003, ela havia comprado um apartamento no setor como investimento. Ela até deu uma olhada no Sudoeste, mas levou em conta preços e potencial de valorização. Por isso, preferiu o espaço mais novo. Ela acredita que, com as obras de infraestrutura, os valores de compra e venda na região devem aumentar ainda mais.
“Eu também estou apostando no comércio da região. Sei que dá para crescer e vou organizar uma loja lá. Ainda falta muito para que vire efetivamente um bairro ecológico, como era a promessa no início, mas conta com uma associação muito ativa, que está fazendo muitas coisas”, analisa a empresária Maria Elvira.
Assim como Elvira, apesar de muitas pessoas saberem que certas regiões podem ser mais valorizadas, a maioria das pessoas, quando vai comprar, prefere pensar na distância do trabalho, na oferta do transporte público, na segurança e na oferta comercial. Essa é a análise do economista Juçanio de Souza.
O economista Juçanio lembra que o Noroeste começou com preços muito altos e que, com a crise, caíram bruscamente. Porém, com a melhora da infraestrutura e com o retorno dos lançamentos imobiliários, os preços foram para cima novamente.
“O mercado brasiliense deve reagir assim que a população retomar o poder aquisitivo e o emprego crescer. Haverá o retorno da normalidade”, afirma Juçanio de Souza
Saiba mais
O especialista Douglas Balzani analisa que mesmo em áreas nobres como as Asas Sul e Norte os prédios já estão mais antigos e precisam de mais manutenção. Fica difícil competir com os prédios mais tecnológicos e com uma pegada mais ambiental. Outra vantagem do Noroeste é que a infraestrutura e o comércio ainda devem se desenvolver bastante por lá – como vem ocorrendo nos últimos anos.
O Guará II, apesar de conhecido pela presença da classe média, assim como no Guará I, tem um perfil diferenciado: “Como a economia está ruim, fica difícil investir em qualquer lugar. Os mais distantes do Plano tem menos atrativos. No Guará há prédios mais antigos, que terão os m² mais baratos, e alguns mais novos, que terão o preço do m² maior”, afirma Douglas Balzani.