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Economia

Prazo para tarifa adicional dos EUA vence sem acordo com o Brasil

Negociações seguem travadas por impasses sobre Pix, etanol e açúcar, enquanto especialistas veem motivação política na medida

Redação Jornal de Brasília

14/07/2026 15h55

president trump meets with his cabinet at the white house

Foto: WIN MCNAMEE / AFP

Sem previsão de acordo à vista, vence nesta quarta-feira (15) o prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para definir sobre a aplicação, ou não, da tarifa adicional de 25% sobre a importação de parte dos produtos brasileiros.

As negociações enfrentam entraves em pontos como a negativa do Brasil de discutir mudanças no Pix e a oposição dos Estados Unidos em aceitar a redução da sobretaxa que impõem ao açúcar brasileiro em troca de mudanças na tarifa do etanol que entra no país. O governo brasileiro vem defendendo que o etanol não seja incluído na discussão, embora tenha sugerido que os EUA retirem, em troca, as tarifas sobre o açúcar produzido no Brasil.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebateu as acusações de prática comercial desleal feitas pelo USTR e afirmou que o tarifaço oneraria uma relação bilateral de comércio e investimento importante para ambos os lados, além de reduzir o espaço para o diálogo. Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que o setor de etanol é estratégico, especialmente para o Nordeste, e destacou que o açúcar brasileiro enfrenta fortes barreiras para entrar no mercado americano.

O USTR afirma agir com base na Seção 301 da legislação estadunidense e alega prática desleal do Brasil em relação ao Pix, ao etanol, ao desmatamento ilegal e a outros pontos. No debate sobre o etanol, associações de produtores de cana e entidades do setor afirmam que a queda das importações de etanol americano não se explica apenas por tarifas, mas principalmente pela expansão da produção nacional.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a medida tem motivação política, e não estritamente econômica. Para o professor de direito internacional Paulo Borba Casella, da USP, os EUA não disfarçam esse caráter político, o que dificulta um acordo. Já o professor Alexandre Pires, do Ibmec-SP, afirmou que o governo Donald Trump tem endurecido a postura com países que não estão alinhados a Washington e busca realinhar o Hemisfério Ocidental aos interesses dos EUA. As informações foram retiradas da Agência Brasil.

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