O Produto Interno Bruto (PIB) da indústria subiu 2,9% no terceiro trimestre deste ano em comparação com o desempenho do segundo trimestre de 2009. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o PIB da indústria teve queda de 6,9% no terceiro trimestre deste ano. Para a a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, a queda de 6,9% foi influenciada pelo recuo de 8,4% no PIB da construção civil, no mesmo período.
“Mas essa queda na construção civil no terceiro trimestre já foi mais intensa. Na comparação com igual trimestre do ano anterior, houve taxas negativas de 9,6% no primeiro trimestre e de 9,3% no segundo trimestre, no PIB da construção”, acrescentou a economista.
No mesmo período de comparação, o recuo no PIB industrial também contou com outro forte impacto negativo: a queda de 7,9% no PIB da indústria da transformação, no terceiro trimestre deste ano ante terceiro trimestre de 2008. “As maiores quedas na produção na indústria da transformação foram detectadas em setores voltados para a produção de bens de capital”, afirmou a especialista, acrescentando que os destaques negativos de produção na indústria da transformação ficaram com setores como máquinas e equipamentos; metalurgia; produtos de metal; automóveis e material elétrico e eletrônico.
Ao detalhar mais o desempenho do PIB da indústria, a gerente comentou ainda que houve menor consumo de energia por parte das indústrias este ano, o que levou a uma queda de 3,3% no Produto Interno Bruto (PIB) de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana do terceiro trimestre deste ano, ante igual trimestre do ano passado. “Mas foi somente o consumo de energia das indústrias que reduziu; o consumo de energia elétrica residencial continua subindo”, acrescentou.
Por fim, o PIB do setor de extrativa mineral caiu 2,0% no terceiro trimestre deste ano, ante igual trimestre do ano passado. “Essa queda foi influenciada pelo recuo de 22,1% na produção de minério de ferro, no mesmo período”, afirmou a especialista. Ela acrescentou que, no setor extrativo, a extração de petróleo e gás continua operando com resultados positivos, e subiu 4,8% no terceiro trimestre, ante igual trimestre de 2008.
Ritmo lento – Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) os números divulgados hoje mostram que a recuperação da economia está “num ritmo mais lento do que o esperado”. Em nota divulgada à imprensa, a entidade informa que projetava um crescimento de 1,9% do PIB no terceiro trimestre deste ano e o resultado apontou para uma expansão de apenas 1,3%.
A CNI reconhece que a explicação para esse crescimento menor foi a revisão feita pelo IBGE nos números de trimestres anteriores. “Nesse sentido, o impacto negativo da crise internacional no quarto trimestre de 2008 foi menos intenso do que o que foi divulgado anteriormente, o que elevou a base de comparação estatística. Se por um lado o impacto negativo da crise foi menos intenso, por outro, o ritmo de recuperação do PIB se dá de forma, ligeiramente, mais lenta”, destaca a nota.
Os técnicos da CNI também destacam a aceleração dos investimentos no terceiro trimestre deste ano frente ao trimestre anterior. Para os economistas da entidade, o aumento de 6,5%, no indicador dessazonalizado, “é positivo, porque demonstra a retomada dos investimentos que tinham sido engavetados com a crise”.
A alta da Formação Bruta de Capital Fixo foi, segundo avaliação dos técnicos da CNI, “a maior taxa de crescimento desse componente da demanda desde o primeiro trimestre de 2006”.
A CNI ainda destaca que os dados divulgados pelo IBGE sobre a atividade industrial confirmam as estimativas da entidade de aceleração da retomada do crescimento. Com relação ao consumo das famílias, que cresceu 2% ante o segundo trimestre do ano, os técnicos da CNI destacaram que essa alta “demonstra a continuidade da recuperação da demanda”. Ao final da nota, os técnicos da CNI avaliam que a queda de 6,9% do PIB industrial no terceiro trimestre do ano, frente a igual período de 2008, “traz sinais de uma retração mais intensa do que a esperada”. “Esse resultado pode reduzir a possibilidade de revisão para cima das estimativas da CNI de crescimento nulo do PIB em 2009”, diz o documento, informando que as novas estimativas serão publicadas no relatório Economia Brasileira, no próximo dia 15 de dezembro.