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Economia

Petróleo dispara mais de 5% e ultrapassa US$ 105 após novas ameaças de ataques dos EUA ao Irã

Brent atingiu US$ 105,91 (R$ 531,20), por volta das 12h30, uma alta de 5,70% em relação ao dia anterior

Redação Jornal de Brasília

08/10/2026 14h32

plataforma de petroleo

Plataforma de petróleo em alto-mar. Foto: Divulgação/Wilson Sons

FOLHAPRESS

O preço do petróleo disparou mais de 5% nesta quinta-feira (8) e as ações despencaram diante de novos temores inflacionários, após a revista The Atlantic divulgar que o presidente dos EUA, Donald Trump, estaria considerando novos ataques ao Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato dos EUA, marcadas para novembro.

O barril Brent atingiu US$ 105,91 (R$ 531,20), por volta das 12h30 (horário de Brasília), uma alta de 5,70% em relação ao dia anterior. É o maior valor desde 24 de setembro, quando a cotação estava em US$ 108,23.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 90,89 (R$ 455,77), valorização de 2,86%, por volta das 14h15.

O petróleo havia começado a semana em baixa com os sinais de que as exportações do Oriente Médio estavam voltando aos níveis anteriores à guerra e de que os países do G7 haviam concordado em liberar parte de suas reservas de emergência.

Mas a apreensão voltou depois que dados indicaram que o regime do Irã havia intensificado os ataques a navios-tanque no estreito de Hormuz, somado a ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, a aeroportos da Arábia Saudita. Para completar, o preço disparou nesta quarta com a ameaça dos EUA de retomar os ataques.

A revista The Atlantic informou que a Casa Branca pediu ao Pentágono que elaborasse opções para atacar instalações no Irã antes das eleições de meio de mandato. Os republicanos de Trump correm o risco de perder o controle das duas casas do Congresso e a volta das ofensivas poderia ajudar a atrair votos.

A reportagem afirmou que a dimensão e os alvos dos ataques ainda estavam sendo discutidos, mas acrescentou que uma operação mais ampla poderia estar sendo planejada para depois da votação de 3 de novembro.

Segundo a publicação, porém, os defensores da medida não acreditam que os ataques levariam Teerã à mesa de negociações ou resultariam na reabertura de Hormuz. A intenção, segundo as pessoas ouvidas, seria demonstrar força às vésperas da votação.

O número de embarcações que cruzaram o estreito de Hormuz caiu para o menor nível em mais de dois meses devido aos ataques na região. Sete navios de transporte de commodities atravessaram o local na terça-feira (6), o menor número desde 23 de julho, mostraram dados da empresa de análise Kpler.

Além disso, os negociadores mostraram preocupação com o anúncio da Chevron e da Shell que vão reduzir a produção de petróleo nos EUA devido à chegada do furacão Isaias, que aumentou de intensidade a 715 km ao sul-sudoeste da foz do rio Mississippi e se tornou o primeiro furacão da temporada atlântica de 2026.

O Isaias se aproximava dos EUA com ventos máximos sustentados de 120 km/h, informou o NHC (Centro Nacional de Furacões dos EUA) nesta quinta. O NHC observou que é esperado um fortalecimento adicional e que o Isaias deve permanecer como um furacão forte à medida que se aproxima da costa norte do Golfo do México na noite de sexta-feira.

A previsão é de que o furacão passe por áreas com significativa produção offshore de petróleo e gás, além de instalações de refino em terra firme.

A notícia de que os membros da AIE (Agência Internacional de Energia) estavam prontos para liberar mais petróleo de suas reservas pouco fez para tranquilizar os operadores preocupados.

BOLSAS CAEM PELO MUNDO

A queda dos três principais índices de Wall Street na quarta-feira (7) refletiu-se no mercado asiático. O índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,1% e atingiu o seu menor patamar desde agosto de 2025 ao fechar em 4.310 pontos.

O índice SSEC, em Xangai, desvalorizou 0,8%, enquanto o Índice Star 50, voltado para o setor de tecnologia, desabou quase 5%, atingindo a menor cotação em cinco meses. A situação ocorreu na reabertura das Bolsas na China após uma semana fechadas em virtude de um feriado.

Os outros principais mercados do continente também amargaram quedas em Tóquio (-1,42%), Seul (-2,62%), Hong Kong (-1,43%), Taiwan (-0,99%) e Singapura (-3,49%).

Wang Zhuo, sócio da Shanghai Zhuozhu Investment, afirmou que o otimismo excessivo no primeiro semestre em relação às ações de “tecnologia de ponta”, como as fabricantes de chips, alimentou avaliações irracionalmente altas, mas que “as bolhas inevitavelmente estourariam”.

O índice STOXX 600, referência na União Europeia, operava em queda de 1,42%, sendo acompanhada pela perda nas Bolsas em Frankfurt (-1,12%), Londres (-0,61%), Paris (-1,12%), Madri (-1,52%) e Milão (-1,67%), por volta das 7h30.

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