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Kátia Flávia
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“A gente deseja a bondade e elege o ódio”: jornalista da Band detona deputada antifeminista eleita em SP

Adriana Araújo se emocionou ao criticar discursos de Eduarda Campopiano, do PL, sobre feminicídio e violência contra mulheres

Kátia Flávia

06/10/2026 9h43

Adriana Araújo se emocionou ao falar sobre violência contra mulheres

Adriana Araújo se emocionou ao falar sobre violência contra mulheres

A jornalista Adriana Araújo se emocionou ao criticar o discurso de Eduarda Campopiano (PL), deputada estadual eleita em São Paulo com cerca de 1,9 milhão de votos. No programa “Entre Nós”, da BandNews FM, a âncora reagiu a falas da parlamentar que negam a existência do feminicídio e fez um apelo aos eleitores.

Eu tinha acabado de sentar na Casa Piriquita, com o travesseiro de Sintra chegando à mesa, quando ouvi o desabafo de Adriana. E não deu para seguir falando de doce, minhas filhas. Quando uma mulher se emociona ao lembrar da violência que outras mulheres enfrentam, o mínimo é escutar.

“A gente deseja a bondade e elege o ódio”, afirmou a jornalista. Ela lembrou que Campopiano só pôde se tornar deputada porque mulheres lutaram durante décadas pelo direito ao voto, à participação política e à ocupação dos espaços de poder.

Eu larguei a xícara por um instante, porque a contradição é daquelas que não cabem em meme de rede social. Uma mulher chegar ao Parlamento é resultado de uma luta coletiva; usar esse mesmo espaço para deslegitimar a violência sofrida por outras mulheres é um retrocesso que precisa ser enfrentado.

Adriana classificou como “gravíssimo” o discurso de que feminicídio não existe. O crime está previsto na legislação brasileira desde 2024 e se refere ao assassinato de mulheres por razões ligadas à condição do sexo feminino, como em contextos de violência doméstica, familiar ou discriminação.

A jornalista ficou com a voz embargada ao falar das vítimas. “Enquanto a deputada mais votada da direita diz que feminicídio não existe, mulheres são esfaqueadas, estupradas e asfixiadas todos os dias. Crianças sofrem a dor de perder suas mães e mães choram por enterrar suas filhas”, declarou.

Eu olhei pela janela, vendo Sintra seguir seu movimento de almoço, e pensei no peso dessas palavras. Não é uma discussão abstrata, não é apenas mais uma guerra de comentários. É sobre mulheres reais, famílias reais e a urgência de não tratar a violência como se fosse mera opinião de internet.

Adriana também disse não se considerar inimiga de Campopiano e explicou que ser feminista, para ela, significa defender que mulheres tenham direitos, respeito, oportunidades e o direito básico de não serem mortas por um agressor.

Eu parti o doce devagar e deixo meu veredito: política se faz com confronto de ideias, sim, mas negar uma violência que mata mulheres todos os dias não é debate corajoso. É fechar os olhos para uma dor que já é grande demais.

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