Marxistas, comunistas e ecologistas portugueses se recusaram nesta segunda-feira (18) a se reunir com a equipe conjunta enviada a Lisboa por Bruxelas e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para discutir os termos do resgate financeiro a Portugal.
Os três grupos parlamentares de esquerda, que nas eleições de 2009 obtiveram 31 das 230 cadeiras em disputa, tomaram esta decisão por não concordarem com a chegada de ajuda externa ao país, que deve ser acompanhada de novos cortes orçamentários.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira, quando as negociações sobre o resgate financeiro entre as autoridades portuguesas, representantes da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI entraram em uma nova fase e adquiriram pela primeira vez uma aparência política, depois dos trabalhos técnicos realizados na semana passada para analisar as contas portuguesas.
Após a recusa das legendas, o grupo manterá conversas com apenas três dos seis partidos com presença no Parlamento: o Socialista (97 deputados), o Social Democrata (81) e o CDS-PP (21).
A ideia inicial era realizar um encontro com cada um dos grupos, começando nesta segunda-feira, com a meta de conhecer as propostas de todos eles para enfrentar as dificuldades econômicas de Portugal, explicou à Agência Efe um porta-voz da Comissão Europeia.
Os marxistas do Bloco de Esquerda justificaram sua postura afirmando que esta negociação compete unicamente ao Executivo, que se comprometeu a informar sobre o avanço nas conversas.
Jerónimo de Sousa, líder do Partido Comunista Português (PCP), destacou em declarações à imprensa que o pedido de resgate representa “uma inaceitável atitude de abdicação e submissão nacional” que, na sua opinião, não solucionará os problemas do país, mas irá aumentá-los.
Já os membros do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), por sua vez, disseram ser contra o resgate financeiro e as negociações que as autoridades mantêm com Bruxelas e o FMI e lembraram que os acordos são baseados em um programa de cortes que foi rejeitado pelo Parlamento português.
A recusa às últimas medidas de austeridade propostas pelo Executivo socialista acarretou na renúncia do primeiro-ministro, José Sócrates, e derivou na convocação de eleições antecipadas para o dia 5 de junho.
Duas semanas depois da queda do governo e com a pressão sobre a dívida soberana portuguesa descontrolada, Sócrates anunciou a decisão de recorrer à ajuda externa, o que, segundo as primeiras estimativas, pode implicar em uma injeção de 80 bilhões de euros nos próximos três anos.