O hábito de pechinchar o preço dos produtos por meio do pagamento em espécie caiu no gosto dos brasilienses. Segundo a pesquisa Percepção do Comércio no Distrito Federal, feita pelo Instituto Análise, está comprovado que 88,9% dos consumidores da capital do País consideram o dinheiro vivo como a forma de pagamento que possibilita obter os melhores descontos. Não é a toa que Brasília é a única unidade da federação onde é pertimitido o abatimento no preço para pagamentos à vista.
A pesquisa mostra, ainda, que 45,6% dos entrevistados apontam o dinheiro vivo como meio favorito de pagamento. Destes, 56,8% declararam que o motivo dessa preferência é para evitar dívidas, principalmente nas classes sociais mais baixas. O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Júnior, considera que os dados comprovam a necessidade da regulamentação de uma lei nacional que permita o oferecimento dos descontos no pagamento à vista.
“Os lojistas pagam entre 6% a 11% do valor do produto em taxas para as operadoras de cartão de crédito. É preciso repensar por que esse valor não pode ser abatido para os consumidores que pagam em dinheiro”, argumenta Pellizzaro. “Se o desconto for permitido, o dinheiro que ficaria concentrado nas mãos de duas operadoras de cartões passará a circular na economia, gerando mais consumo e, consequentemente, mais produção e mais empregos”, complementa.
Em segundo lugar na preferência dos brasilienses, com 28,2% das respostas, está o cartão de débito. Entre as pessoas que escolheram essa opção, 47,7% justificaram a decisão com o argumento do benefício de não precisar andar com dinheiro. O cartão de crédito foi citado como favorito por 23,3% dos entrevistados, por oferecer prazo para pagar.
O cartão de crédito foi considerado, ainda, a forma de pagamento que oferece os preços mais caros por 66,2% dos consumidores brasilienses. Roberto Piscitelli, economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) defende que a diferenciação entre os preços à vista e no cartão de crédito deveria ser obrigatório em todos os casos.
“Quando as lojas anunciam uma venda parcelada é evidente que os juros estão incluídos no preço, por mais que aleguem ser o mesmo valor à vista. Muitas vezes, a propaganda induz o consumidor para às compras a prazo e lucram mais com o financiamento do que com a venda do produto em si”, explica o professor.
Antônio Augusto de Moraes, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista-DF) afirma que o consumidor brasiliense demonstrou grande aceitação à prática do desconto para pagamento à vista. “Quem sai ganhando é o cliente que fica com a opção de pagar mais barato. As vantagens também beneficiam o comerciante, já que em vez de esperar até 30 dias para receber o valor da compra pode ter o dinheiro na hora, flexibilizando o fluxo de caixa da empresa”, comenta.
Na opinião de Roque Pellizzaro Júnior, da CNDL, a regulamentação nacional do desconto para pagamento à vista permitiria até uma redução dos juros cobrados atualmente pelos cartões de crédito no Brasil. “Com a diferenciação de preços, os cartões teriam um concorrente forte e precisariam atuar de forma mais competitiva para conquistar os consumidores. O problema atual é que um duopólio domina as bandeiras que operam cartões, isso favorece os juros abusivos e foi comprovado pela pesquisa”, conclui o presidente da CNDL.
Para o presidente da Frente Parlamentar Mista do Comércio Varejista, deputado Paulo Bornhausen, (DEM-SC), esta pesquisa vai ajudar os trabalhos da Frente a aprovar projeto que autoriza o comércio lojista de todo o País a oferecer desconto nas vendas a dinheiro. “A pesquisa mostrou que a população dá valor à moeda nacional e serviu para desmistificar o argumento de que a diferenciação dos preços à vista e no cartão de crédito não causará aumento generalizado do valor pago nos produtos”, disse Bornhausen.
Saiba mais
A pesquisa Percepção do Comércio no Distrito Federal fopi relizada no segundo semestre de 2009. A técnica usada foi a de entrevistas pessoais face a face em pontos de fluxo.
Foram feitas 300 entrevistas por meio de questionário objetivo e estruturado, com em média 20 perguntas fechadas e no máximo duas abertas e duração de no máximo 25 minutos para serem respondidas.
A grande maioria dos entrevistados (73%) realizam compras pelo menos uma vez por semana, e 30% fazem compras todos os dias. Os entrevistados gastam, em média, R$ 191 por mês com alimentação, R$ 139, com vestuário, R$ 134, com eletrônicos, R$ 105,45 com artigos para casas e R$ 104, com telefonia.
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