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Economia

Ovos de chocolate vão ficar menores na Páscoa

Arquivo Geral

21/02/2016 7h00

Na tentativa de driblar a crise econômica e manter os lucros na Páscoa, empresários pretendem diminuir em até 40% o tamanho dos ovos e, assim, reter o máximo possível o custo dos produtos. No ano passado, explicou o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), Edson de Castro, o volume médio dos ovos era de 400 gramas. Agora, a maioria deve ter em torno de 250 gramas. Com isso, a expectativa de crescimento nas vendas é de 2% no período.

“No ano passado, foram vendidos 1,2 milhão de ovos no DF. Agora, espera-se vender 1,3 milhão, até porque o preço estará mais em conta. Justamente em função dessa mudança no tamanho dos ovos de Páscoa. Vai haver crescimento na quantidade, mas, talvez, mantenha-se o mesmo em termos de quilo nas vendas”, explicou o presidente do Sindivarejista. “Em todo o país, em 2015, foram comercializados 80 milhões de ovos. Neste ano, os empresários esperam ser aproximadamente 88 milhões.”

Além disso, o valor dos ovos “mais trabalhados” também deve diminuir. Neste ano, segundo Castro, o produto mais caro não deve passar de R$ 462 nas lojas do Distrito Federal. “Em 2013, tinha ovo custando até R$ 1,2 mil. A tendência é tentar diminuir o preço mesmo. Até para não repassar ao consumidor a alta de 14% no açúcar e de 12% no cacau”, destacou Castro.

Nas lojas de Brasília, aos poucos, as prateleiras do comércio começam a ficar cheias de ovos de Páscoa. Porém, o consumidor ainda parece resistente aos preços. 

“Fiquei bastante assustada com os valores do ano passado. E temo que aconteça o mesmo agora. Por isso, estipulei um preço máximo para as compras de Páscoa. No máximo uns R$ 50, R$ 60. Não dá para gastar mais do que isso”, desabafa a dona de casa Aureliane Oliveira, de 36 anos.

No entanto, para gastar menos do que R$ 100 na Páscoa, a dona de casa sabe que a tarefa será difícil. Com três filhos pequenos, ela conta que cada um quer de um personagem diferente e com brindes, o que já eleva o preço dos produtos. “Fica mais caro por causa do brinquedo”, conta.

Diversificar para baixar o custo total

Segundo o dono da fábrica de bombons finos Aguimar Ferreira, Alexandre Ferreira, de 25 anos, muitos clientes preferem, durante a Páscoa, optar por menos ovos e outros produtos. “Em geral, por exemplo, se for para uma cesta, a maioria prefere investir em pirulitos de chocolate, bombons e alfajores”, diz. Por isso, o local está investindo pesado na produção para o período. “Temos linhas novas de ovos, diferenciados, gourmet. E, mesmo assim, nossa opção é trabalhar com uma margem menor de lucro para vender mais”, explica.

Por isso, os preços da fábrica são bastante variados. Tem ovos de 100 gramas por R$ 8. E outro, feito com chocolate belga, de 5 quilos, que custa R$ 490. “Nosso cardápio tem opções para todos os gostos. Como disse, tem gente que prefere, por exemplo, dar bombons personalizados, que saem por R$ 3,50 cada. Quer dizer, é uma lembrança e mais barata”, ressalta. Já aqueles clientes que preferem investir mesmo na época mais doce do ano, a pedida na Aguimar Ferreira são os chamados ovos de colher, vendidos por até R$ 59,90 cada.

 Investimento em alternativas

E se a ideia é economizar mais ainda, outra opção são os novos empresários, que começam, agora, a entrar no páreo para ganhar a clientela. Este é o caso de Thaís Souza, de 28 anos. Ela começou a vender ovos de Páscoa em 2014. E, de lá para cá, está aumentando a produção e a qualidade dos seus produtos. “Trabalho com uma marca boa. Então, isso já é um diferencial. Porque não tem aquele sabor amanteigado. É chocolate mesmo. E os preços variam bastante. Tem ovo de 250 gramas por R$ 20. Tudo depende do recheio”, afirma.

A moradora de Sobradinho faz ainda entregas na casa dos clientes. “Eu trabalho como segurança, em um plantão de 12 horas. Caso o pedido não precise ser entregue nesses dias, eu vou deixo o produto em mãos. Aí, incluo uma taxa a mais”, esclarece. Thaís trabalha ainda com vários tamanhos, em diferentes quantidades. “Pelos preços que observei no ano passado nas lojas, sei que os meus valores estão bem em conta. Lembro que meu filho queria um ovo com brinquedo dentro, então não podia ser dos meus. Aí, comprei um de 150 gramas por R$ 35. Achei absurdo”, conta.

Preocupada

A pouco mais de um mês da Pascoa, que neste ano será no dia 27 de março, em um comércio da Asa Sul, o preço de um ovo de 80 gramas está, agora, R$ 12,99. Já os maiores, de 150 gramas, e com algum brinquedo dentro, por exemplo, não saem por menos de R$ 50. 

“Continuo achando caro um ovo desse tamanho por R$ 50. Não vejo sentido em diminuir o tamanho do produto e o preço continuar o mesmo. Deveria diminuir também, né?”, reclama a secretária Maria Costa, de 43 anos. 

“Eu vou apelar, com certeza, para as barras de chocolate e novas opções”, ressalta. E, pelo jeito, ela não será a única a buscar “outras saídas” para presentear na Páscoa.

 Apesar de tudo, ainda animados

Ao contrário da expectativa tímida do Sindivarejista para o período, os comerciantes brasilienses esperam um crescimento de 3,35% nas vendas da Páscoa em comparação com o mesmo período do ano passado. Pelo menos é o que revela pesquisa do Instituto Fecomércio, em parceria com o Sebrae. Em 2015, vale lembrar, a estimativa de aumento era de 0,82% para a data comemorativa.

“Sendo a primeira data importante para o comércio em 2016, a Páscoa funcionará como um termômetro para os empresários medirem como serão as vendas durante o resto do ano. A expectativa positiva reflete a esperança de melhora na economia e no fluxo de caixa dos seus empreendimentos”, avalia o presidente da Fecomércio, Adelmir Santana.

Entre os segmentos otimistas, o de vestuário é o que espera melhor movimento durante o período, com estimativa de crescimento nas vendas de 13,19%; seguido por lojas de departamento (12,79%); calçados e acessórios (11,94%); supermercado/hipermercado (5,96%); perfumaria (5,60%); eletroeletrônicos (4,83%); chocolataria (2,94%) e restaurantes (2%).

Por outro lado, o segmento de floricultura é o mais pessimista. Os comerciantes da área aguardam, na verdade, redução de 10,67% na comercialização de produtos. Em seguida, estão as lojas de artigos para presente (-10%); livraria (-7,27%) e comércios de brinquedo (-0,08%).

 

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