A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê altas contínuas do desemprego ao longo de todo este ano, chegando a alcançar máximas em alguns países-membros.
“Vamos ver números mais altos de desemprego”, que podem se aproximar do teto em alguns países, disse hoje o secretário-geral da OCDE, o mexicano Ángel Gurría, sem citar nomes nem porcentagens concretos.
Em um encontro com a imprensa antes do Fórum Econômico Mundial que começa amnahã, em Davos (Suíça), Gurría explicou que, durante 2010, haverá uma situação um tanto “paradoxal” em nível econômico, já que “veremos uma mistura de indicadores”.
Por um lado, será marcado pelo aumento do desemprego e, ao mesmo tempo, por “bons sinais” em termos de crescimento.
De fato, disse, é muito provável que a OCDE revise para cima suas mais recentes previsões de crescimento, publicadas em novembro do ano passado.
As novas previsões, que serão divulgadas em março e depois em maio, “serão melhores”, o que indicaria que a recuperação pode se concretizar “um pouco mais rápido e antes”.
No entanto, Gurría alertou que não se deve ser triunfalista, que serão alguns “décimos” acima do previsto em novembro e que levará tempo para se chegar a taxas de crescimento semelhantes às de antes da crise, devido, precisamente, ao aumento do desemprego, assim como ao dos juros.
O responsável da OCDE se referiu também ao plano do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para limitar o tamanho dos bancos e as atividades das entidades financeiras, e expressou seu total apoio à iniciativa, porque, segundo ele, “pode ajudar a evitar uma nova crise financeira”.
Na sua dele, o problema não é o tamanho, mas “a natureza” das atividades que realizam, que não tem nada a ver no caso de um banco comercial ou um de investimento.
Evitar riscos elevados como os que foram assumidos no passado é uma das receitas que todos os organismos multilaterais promovem, enfatizou o secretário-geral da OCDE, que considera que o principal desafio agora é transformar os primeiros sinais de recuperação em um crescimento sustentável.
Esse é “o grande passo” e, para alcançar isso, considerou necessário que os países atuem de forma coordenada.
Isso não significa, disse, que tenham que fazer a mesma coisa ao mesmo tempo, porque cada país tem indicadores e circunstâncias específicas.
O que devem fazer é compartilhar informação, como se fez dentro do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes), porque, segundo Gurría, “é muito importante dar sinais aos mercados”.
Além disso, “a coordenação gera percepção de confiança”, acrescentou.