O percentual de famílias brasilienses endividadas aumentou pela terceira vez consecutiva. O número de famílias com algum tipo de dívida entre cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros passou de 601.241 (81,2%) em julho para 617.796 (83,4%) em agosto no DF. É o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF).
O estudo mostra também uma alta no número de inadimplentes. O universo das famílias com contas em atraso passou de 53.040 em julho para 63.066 em agosto. Para o presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, com os juros mais altos, os brasilenses estão com dificuldades para ajustar as contas e efetuar os pagamentos. “Muitas vezes as parcelas são de valores pequenos, mas somadas atingem um montante que foge do orçamento da família e com as elevadas taxas de juros os débitos se elevam e se acumulam”, explica Adelmir. “Neste caso, o consumidor precisa renegociar os débitos para conseguir quitar as dívidas”, completa.
O grande responsável pelas dívidas continua sendo o cartão de crédito. Do total de famílias endividadas, 96,2% se disseram comprometidas nessa modalidade. Algumas acumulam mais de um tipo de débito. Dentre as famílias com contas em atraso, 55% disseram ter condições de quitar suas dívidas totalmente e 45% afirmaram ter condições de quitar o montante parcialmente.
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) foi realizada com uma amostra de 600 famílias. O estudo serve para orientar os empresários do comércio de bens, serviços e turismo que utilizam o crédito como ferramenta estratégica, uma vez que permite o acompanhamento do perfil de endividamento do consumidor e sua percepção em relação à capacidade de pagamento.