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Economia

Novos empréstimos do consignado privado crescem 276% em um ano, mostra BC

Com o impulso do programa de Crédito ao Trabalhador, lançado pelo governo Lula, o consignado privado superou a marca de R$ 100 bilhões de saldo, atingindo R$ 101,6 bilhões no mês passado

Redação Jornal de Brasília

27/04/2026 19h04

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

NATHALIA GARCIA
FOLHAPRESS

Alavancadas pelo programa de Crédito ao Trabalhador, lançado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de março do ano passado, as concessões de novos empréstimos do consignado privado cresceram 276% nos últimos 12 meses, mostram dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (27).

A liberação nessa modalidade totalizou R$ 76,22 bilhões de abril de 2025 a março deste ano. Nos 12 meses anteriores, quando vigoravam apenas os contratos no antigo modelo, a soma foi de R$ 20,27 bilhões.

As estatísticas do BC mostram também que, em março, foi concedido valor recorde aos trabalhadores do setor privado, com quase R$ 10,9 bilhões liberados no mês. Em relação a fevereiro, quando as concessões somaram R$ 7,146 bilhões, a alta foi de 52%. Nessa cifra pesa o fato de que março teve quatro dias úteis a mais do que fevereiro.

Com o impulso do novo programa, o consignado privado superou a marca de R$ 100 bilhões de saldo, atingindo R$ 101,6 bilhões no mês passado. O estoque era de R$ 41,9 bilhões no lançamento do crédito ao trabalhador CLT, em março de 2025. Isso equivale a um aumento de 142,4% em um período de 12 meses.

“No crescimento de R$ 70 bilhões do consignado total em 12 meses, R$ 60 bilhões vieram do consignado privado”, destacou o chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, na apresentação dos dados.

O consignado total engloba três linhas de crédito: uma voltada para aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), outra para servidores públicos, além da modalidade destinada a trabalhadores CLT.

“De março de 2025 a março de 2026, 85% do crescimento do consignado total vêm da modalidade consignada aos trabalhadores do setor privado, claramente em função do Crédito ao Trabalhador”, acrescentou o técnico do BC.

Enquanto os novos empréstimos do consignado privado cresceram 276% em 12 meses, as concessões para beneficiários do INSS recuaram 38,8% no período, afetadas pelo bloqueio de contratações após escândalo de fraude no órgão. No consignado total, o crescimento foi de 5% no mesmo intervalo.

A inadimplência (pagamento em atraso há mais de 90 dias) do consignado para trabalhadores CLT seguiu em alta, chegando a 6,6% em março -avanço mensal de 0,2 ponto percentual.

Depois de ter atingido um piso em novembro do ano passado (4,9%), o indicador mudou de direção e voltou a crescer. A elevação acumulada nesse intervalo até março é de 1,7 ponto percentual. Para Rocha, o crescimento observado é “bastante significativo”.

De acordo com um estudo feito pelo próprio Banco Central, no ano passado, o cliente médio do novo consignado é um trabalhador com menor instrução e renda, com menos tempo de vínculo com a empresa e que atua em companhias de menor porte.

Ainda de acordo com a análise, quanto menor é o porte do empregador, maior é a percepção de risco de crédito pelas instituições financeiras na nova modalidade. Esses fatores afetam os juros cobrados na modalidade, hoje maiores do que os praticados no modelo antigo de convênio com as empresas.

Depois de atingir o pico de 59,4% ao ano em fevereiro, a taxa média para o consignado privado caiu 2,6 pontos percentuais no mês, a 56,8% ao ano. Antes da implementação do programa, o juro médio ficava ao redor de 40% ao ano. A insatisfação de Lula com os juros cobrados dos trabalhadores é antiga.

Apesar disso, os juros do consignado privado são menores do que os cobrados pelos bancos no crédito pessoal não consignado. Em março, a taxa média da modalidade foi de 117,1% ao ano -aumento de 4,9 pontos percentuais no mês (112,2% em fevereiro).

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